Os principais candidatos ao Senado por São Paulo tiveram novo embate na noite desta quarta-feira (23), em evento organizado pelo jornal O Estado de S. Paulo e a Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). A disputa segue embolada, segundo pesquisa Quaest divulgada no mesmo dia, com empate triplo na liderança, ainda que com oscilação positiva de Guilherme Derrite (PP) e estagnação das ex-ministras do governo Lula, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).
Derrite tem 16%, Marina, 13%, Tebet, 12%, e Prado, 8%, na Quaest para o Senado em São Paulo
Na reta final, campanhas de Tarcísio e Prado se apegam a voto útil para frear Salles no Senado
Tebet e Silva adotaram estratégias distintas. A primeira deixou claro aos espectadores que não se considera uma política de esquerda, ao discutir sobre o ECA Digital e ouvir ataques de um rival sobre parlamentares “estridentes” no Congresso que votaram contra a castração química de pedófilos. Também reforçou, a todo momento, o discurso de combate à corrupção, sugerindo que “a classe política tem que roubar menos” em uma pergunta sobre os resultados econômicos do atual governo.
— A classe política tem que ter vergonha na cara, tem que roubar menos, combater desperdícios e privilégios. Propomos uma reforma para mexer na previdência privilegiada dos militares e teve resistência do Congresso. Não coloque palavras na minha boca, não disse que a culpa é do presidente Lula, ao contrário — disse ela.
A ambientalista se declarou contra o modelo de emendas impositivas no Congresso, descrito por ela como uma “subtração do orçamento público, sem transparência, por parlamentares inescrupulosos que usam esse dinheiro para se perpetuar no poder, quando não são evidentes os casos de corrupção”. E procurou trazer mais enfaticamente assuntos de interesse direto da campanha de Lula, como as reclamações da oposição, entre eles o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), sobre o reajuste de 15% do Bolsa Família às vésperas da eleição.
— O Bolsa Família foi reajustado no governo Bolsonaro, saiu de 400 para 600 reais, mas com data marcada, porque ia acabar no dia 31 de dezembro. O presidente Lula está fazendo reajuste para corrigir a inflação. Eleitoralismo é o que o candidato que hoje você apoia fez no passado — disse Silva, em tentativa de desgastar Derrite. O deputado lembrou que seu candidato a presidente era, na verdade, Flávio e ouviu como réplica que pai e filho eram “farinha do mesmo saco”.
Derrite procurou marcar as adversárias com a credencial de aliadas de Lula e apostou no antipetismo como estratégia. A certa altura, aproveitou que Tebet tenta ganhar o seu segundo voto contra Prado para pedir uma “avaliação sincera” da ex-ministra do Planejamento sobre o resultado econômico. Ele também prometeu vincular o seu voto a presidente do Senado a uma revisão do processo de impeachment de ministros do Supremo, descartando apoiar Davi Alcolumbre, atualmente no cargo.
— Lamentavelmente, o principal tema da eleição deste ano são os impeachments de ministros da Suprema Corte, tamanho os abusos que estão sendo cometidos. Jamais votarei em Davi Alcolumbre para ser reconduzido presidente do Senado e vou lutar pela revisão do regimento interno das Casas, porque é inadmissível a quantidade de pedidos engavetados — afirmou o candidato.
Os embates na direita foram novamente protagonizados pelo deputado federal Ricardo Salles (Novo) e pelo presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp), André do Prado (PL). Salles, em quinto nas pesquisas, fez um apelo ao eleitor bolsonarista para não aderir à tática do “voto útil”, propagada de modo indireto na propaganda de Prado, que aparece como quarto colocado neste momento.
— Está tudo em aberto. A campanha que o André do Prado começou a fazer, de voto útil, obviamente é uma campanha de quem quer ganhar no tapetão, porque eu acho que o voto bom é em quem tem conhecimento e representa valores — disse Salles, que conseguiu transformar uma pergunta sobre saúde em ataques contra Valdemar Costa Neto, presidente do PL e aliado do concorrente ao Senado.
O presidente da Alesp, por sua vez, surpreendeu ao defender o fim da escala 6×1, referente à jornada de trabalho de seis dias para um de descanso, desde que com contrapartidas a empresários por meio da desoneração da folha de pagamento. Ele também procurou, ainda que com pouco traquejo, associar Tebet ao PT e ao ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que concorre ao governo do estado contra Tarcísio de Freitas (Republicanos).
— Sou favorável, sim, que o trabalhador tenha uma jornada reduzida para ter mais convivência com a família e mais lazer, mas temos que discutir como vamos resolver com as quatro horas que o empreendedor vai ter que pagar — declarou Prado.
O debate também contou com as presenças do empresário Geraldo Rufino (Podemos) e da ex-vereadora paulistana Soninha Francine (Cidadania), que aparecem com 1% das intenções de voto na pesquisa da Quaest. Em raro momento de discordância entre eles na campanha, Rufino associou bets ao uso de drogas e pediu o banimento dos aplicativos de aposta, enquanto Francine defendeu apenas maior rigor na fiscalização para que o serviço não entre na ilegalidade e piore a situação.
Em debate para o Senado, Prado defende fim da escala 6×1, Tebet diz que não é de esquerda e Salles contesta 'voto útil' bolsonarista
