A música sempre esteve presente na casa dos Ramil. Foi entre instrumentos, discos e experiências com vozes que Kleiton, Kledir e Vitor construíram uma formação que, décadas depois, ajuda a explicar as conexões entre suas trajetórias. Neste sábado (22), às 21h, os três irmãos se apresentam juntos no Vivo Rio, em um espetáculo que reúne canções dos Almôndegas, de Kleiton & Kledir e da carreira de Vitor.
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Nascidos em Pelotas, no Rio Grande do Sul, os três seguiram caminhos próprios na música. Kleiton e Kledir — que moram há cerca de 40 anos em São Conrado — começaram a trajetória discográfica em 1975, com os Almôndegas, enquanto o ainda adolescente Vitor — que vive em Pelotas — dava os primeiros passos como compositor. Ao longo das décadas, suas canções foram gravadas por nomes como Mercedes Sosa, Nara Leão, Milton Nascimento, Gal Costa, Ney Matogrosso e Adriana Calcanhotto.
Para Kleiton, o caminho começou cedo. Ele estudou violino a partir dos 9 anos e aprendeu violão com Kledir.
— Nossos pais gostavam de música e nos propiciaram uma ótima formação. Ter estudado violino desde os 9 anos e aprendido a tocar violão com o Kledir foi fundamental para seguir a vida na música — afirma.
Caçula da família, Vitor cresceu vendo os irmãos mais velhos tocar, cantar e compor.
— Tive o privilégio de ter cinco irmãos tocando, cantando e compondo antes de mim. Cresci aprendendo com todos eles. Havia instrumentos por toda parte — lembra.
Apesar das trajetórias individuais, a origem comum aparece na escolha do repertório. Para Kledir, as diferenças entre os trabalhos não impedem as aproximações.
— Nossos trabalhos são diferentes, mas foram criados a partir de uma origem comum, de um mesmo ambiente familiar e cultural. A escolha do repertório começou por aí, músicas do Vitor que Kleiton e eu sempre admiramos e vice-versa — diz Kledir.
No palco, os três combinam vozes, violões, viola, violino e cuatro venezolano. O repertório também reúne referências brasileiras, uruguaias e argentinas, além de rock dos anos 1960 e 1970. Segundo Vitor, a formação dos irmãos foi além da música.
— Nossa casa era um centro de criatividade estimulado principalmente pela nossa mãe. Poesia, literatura, dança e outros campos da arte estavam presentes no nosso dia a dia. Tudo foi importante — recorda Vitor.
O repertório passa por obras como “Canção da meia-noite”, “Loucos de cara”, “Nem pensar”, “Estrela, estrela”, “Roda de chimarrão” e “Deu pra ti”, além de versões de “Terra (Tierra)”, “Joquim (Joey)” e “You’ve got to hide your love away”. A proposta é revisitar diferentes momentos das carreiras e criar novas conexões entre obras que nasceram de uma mesma formação familiar.
Kleiton afirma que estar novamente no palco com os irmãos não significa deixar de lado as características de cada um. De acordo com ele, as diferenças individuais se transformam em complemento quando os três estão juntos:
— Muda tudo e não muda nada. Cada um de nós tem estilo próprio, e juntos isso é complementar, soma-se, gerando um resultado incrível, tanto nas vozes como nos instrumentos, nos arranjos e no repertório, que é variado e consistente.
O encontro começou em junho de 2025, em Porto Alegre, e passou também por Pelotas e Belo Horizonte. Em março deste ano, o espetáculo foi registrado na capital gaúcha e será lançado em setembro em álbum digital e audiovisual.
Kledir resume o encontro como resultado de uma trajetória construída ao longo de décadas.
— Esse show é a sedimentação de tudo o que temos construído através de décadas, a nossa identidade gaúcha contemporânea. Vivemos com a cabeça ligada no mundo e os pés firmes em Porto Alegre — afirma.
Os ingressos para o show hoje custam entre R$ 110 e R$ 380 na Sympla.
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Kleiton, Kledir e Vitor: irmãos Ramil fazem show no Rio
