O Kremlin classificou como “ironia”, nesta quarta-feira, o comentário do presidente americano, Donald Trump, de que o encontro entre o presidente russo, Vladimir Putin, e os líderes da China, Xi Jinping, e da Coreia do Norte, Kim Jong-un, em Pequim, teria como objetivo conspirar contra os EUA. Os três líderes estiveram lado a lado durante o desfile militar promovido pelo governo comunista — apontado por analistas como uma demonstração de força e de oposição ao Ocidente.
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— Acho que, com certa ironia, ele disse que esses três estariam conspirando contra os Estados Unidos — afirmou o assessor presidencial russo Yuri Ushakov, à TV estatal russa, ao ser questionado sobre a publicação de Trump nas redes sociais. — Quero dizer que nenhuma conspiração foi planejada, que ninguém esteve conspirando, nenhuma conspiração, e, além disso, nenhum desses três líderes sequer cogitou tais pensamentos.
Trump se manifestou via redes sociais enquanto o Exército chinês fazia uma demonstração de força na Praça da Paz Celestial, apresentando vários de seus novos equipamentos de guerra de fabricação nacional a um público que incluía autoridades de dezenas de países. Entre os equipamentos bélicos apresentados, havia um novo míssil balístico intercontinental com capacidade nuclear e alcance para atingir o território dos americano.
“Que o presidente Xi e o maravilhoso povo da China tenham um grande e duradouro dia de celebração”, escreveu Trump na rede Truth Social. “Mandem minhas mais calorosas saudações a Vladimir Putin e a Kim Jong-un, enquanto conspiram contra os Estados Unidos da América.
Outras autoridades russas também se manifestaram sobre o comentário do republicano. O principal porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, garantiu que “ninguém está tramando nenhuma conspiração”, em uma declaração a jornalistas à margem de um encontro bilateral entre Putin e Kim, logo após o desfile. O porta-voz ainda acrescentou que esperava que o comentário de Trump tivesse sido feito “figurativamente, não literalmente”.
Horas antes da publicação nas redes sociais, o republicano afirmou em uma entrevista de rádio que não estava “nem um pouco preocupado” com a aproximação entre Moscou e Pequim. Ao ser perguntado sobre o tema, Trump disse que as Forças Armadas americanas eram “as mais fortes do mundo”, argumentando que nenhuma aliança ousaria atacar o país. Em outro momento da entrevista, ele se disse decepcionado com Putin por não concordar com um acordo de paz na Ucrânia após o encontro de cúpula entre os dois no Alasca — no maior gesto político de um presidente americano ao líder russo desde o começo da guerra na Ucrânia.
— Tínhamos um ótimo relacionamento, estou muito decepcionado — disse Trump.
Divididos sobre a abordagem de Washington sobre a Rússia desde o retorno de Trump à Casa Branca, aliados europeus dos EUA emitiram declarações que parecem endossar a leitura do republicano sobre o encontro dos líderes não alinhados em Pequim.
— Observando o presidente Xi ao lado dos líderes da Rússia, Irã e Coreia do Norte em Pequim hoje, não se trata apenas de uma visão antiocidental, mas sim de um desafio direto ao sistema internacional baseado em regras — afirmou a chanceler da União Europeia, Kaja Kallas. (Com AFP)