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Madonna, Justin Bieber e o 'efeito Odisseia': por que a elite norte-americana invadiu a Grécia neste verão

Por · agosto 24, 2026
Madonna, Justin Bieber e o 'efeito Odisseia': por que a elite norte-americana invadiu a Grécia neste verão


Neste verão, mais do que nunca, as ilhas gregas servem de cenário para as férias da elite norte-americana, oferecendo à Grécia uma vitrine mundial gratuita para promover seu turismo, especialmente entre os visitantes vindos dos Estados Unidos. Como Madonna, que comemorou seus 68 anos na ilha de Corfu, um verdadeiro batalhão de celebridades escolheu as águas azuis e as paisagens de Mykonos, Spetses, Skiathos, Milos, Santorini…
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“Fico feliz que você tenha aproveitado sua estadia na Grécia! Volte no ano que vem!”, escreveu o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, a Madonna, que compartilhou amplamente sua viagem no Instagram, entre festas, passeios de barco e paisagens da ilha jônica.
Bieber, Trudeau e companhia
A estrela pop não foi a única a escolher a Grécia neste verão. O cantor canadense Justin Bieber e sua família estiveram em Porto Heli, no Peloponeso, e na vizinha ilha de Spetses.
A cantora Katy Perry e o ex-primeiro-ministro canadense Justin Trudeau passaram alguns dias juntos em Mykonos, enquanto a atriz americana Kate Hudson visitou Skiathos, uma ilha no norte do Mar Egeu.
Todos compartilham nas redes sociais suas tardes na praia, seus passeios pelas vielas das Ilhas Cíclades e suas noites tomando coquetéis à beira da piscina. Uma campanha publicitária gratuita para o país.
“As celebridades votam pelo verão grego!”, destacava na sexta-feira a emissora pública ERT, que dedicou uma reportagem a essas estrelas vindas dos Estados Unidos. E o entusiasmo não se limita aos dois destinos tradicionalmente preferidos pela elite internacional: Mykonos e Santorini.
Para a Grécia, essa sucessão de celebridades representa uma formidável operação de promoção, em um momento em que o mercado americano se tornou um dos mais lucrativos para o turismo nacional.
Depois da década de crise financeira (2009-2018) e do posterior tsunami provocado pela Covid-19, a Grécia não para de investir no turismo em todas as frentes. Atualmente, esse setor contribui direta e indiretamente com cerca de 30% do PIB do país, segundo a Associação das Empresas Turísticas Gregas (SETE).
Monocultura turística
No entanto, especialistas e partidos de esquerda alertam contra a chamada “monocultura” turística promovida pelo governo conservador, cujos efeitos são denunciados em termos de turismo excessivo, inflação e outros impactos negativos.
Em 2025, cerca de 1,55 milhão de viajantes americanos, com alto poder aquisitivo, visitaram a Grécia, segundo o Banco da Grécia.
As receitas provenientes desse turismo transatlântico cresceram 9,7%, alcançando dois bilhões de dólares, de acordo com a mesma fonte. Em 2025, o gasto médio por turista americano chegou a US$ 1.309, um aumento de 9%.
Esses turistas dos Estados Unidos representam a terceira maior fonte de receitas turísticas do país, atrás apenas dos alemães e dos britânicos, segundo a SETE.
Diante da forte demanda por viagens à Grécia, as principais companhias aéreas americanas decidiram reforçar consideravelmente sua oferta a partir de 2025.
Neste ano, a Grécia conta com o maior número de conexões aéreas diretas com os Estados Unidos de sua história: 103 voos diretos semanais ligam Atenas aos Estados Unidos, conectando a capital grega a nove destinos americanos operados por cinco companhias aéreas.
A American Airlines, por sua vez, aumentou em 30% sua capacidade total de assentos disponíveis em comparação com o verão de 2025.
O ‘efeito Odisseu’
Além das celebridades, o cinema americano também representa uma oportunidade para o turismo grego.
O fenômeno conhecido como set jetting consiste em escolher um destino após descobri-lo em um filme ou série. Segundo um estudo realizado para a Expedia, 13% dos viajantes americanos entrevistados afirmam já ter reservado uma viagem depois de ver um destino na tela.
Neste ano, o sucesso mundial de “A Odisseia” teve forte impacto. O filme de Christopher Nolan, que narra as aventuras de Odisseu, o herói grego por excelência, foi rodado, entre outros locais, no Peloponeso, na região da Messênia.
Segundo a EasyJet Holidays, citada pelo jornal grego Kathimerini, as reservas para a Grécia aumentaram 18% nas últimas semanas após a estreia internacional do filme, em meados de julho. Em particular, cresceram as reservas para as ilhas de Corfu e Cefalônia, situadas próximas de Ítaca, o reino de Ulisses segundo a lenda, embora a ilha não possua aeroporto.
Em fevereiro, o ator americano Brad Pitt viajou para a ilha de Hidra para filmar seu próximo longa-metragem, “The riders”, dirigido por Edward Berger.
A Netflix também escolheu a Grécia como a primeira etapa das filmagens da sexta temporada de sua série de sucesso “Emily em Paris”. A atriz protagonista, Lily Collins, e o restante da equipe de produção foram vistos na primavera europeia em Mykonos, Paros e Santorini.

Madonna, Justin Bieber e o 'efeito Odisseia': por que a elite norte-americana invadiu a Grécia neste verão