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'Mostra o pouco caso que o poder público dá para a História do país', diz historiador sobre leilão de primeira sede dos Correios no Brasil

Por · julho 24, 2026


O prédio em estilo neoclássico, construído a mando de Dom Pedro II na segunda metade do século XIX, abrigou a primeira sede nacional do Correio Geral. Instalado no número 64 da Rua Primeiro de Março, no Centro do Rio, o imóvel histórico deve sair das mãos dos Correios nos próximos dias. O motivo é que está marcado para a próxima quinta-feira (dia 30) um leilão, que tem o imóvel como uma das atrações. 
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A explicação sobre a importância histórica do prédio é de Marconi Andrade, fundador do grupo SOS Patrimônio. Ele lembra que não devemos pensar apenas em cartas ao dimensionar a centralidade do local: além de correspondências, escrituras de imóveis, por exemplo, também precisavam passar pelos Correios, e não pelo cartório, como é hoje. Dali, eram enviados itens para todo o Brasil.
— Os Correios cresceram demais e se tornaram uma instituição que atendia o país todo. Era uma máquina burocrática que ficou tão grande que precisou transferir a sede para o Paço Imperial — lembra Marconi.
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Segundo a estatal, que registrou prejuízo de R$ 8,5 bilhões no ano passado, em uma sucessão de períodos de rombo nas contas, explica que o leilão “faz parte da estratégia de revisão da carteira imobiliária e integra o plano de reestruturação dos Correios”.
— Isso só mostra o pouco caso que o poder público dá para a História do país. É uma falta de sensibilidade gigantesca — critica o fundador do SOS Patrimônio.
Vista aérea da primeira sede dos Correios, na Rua Primeiro de Março – imóvel vai a leilão
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Estrutura danificada
A criação dos Correios é datada de 1663, ano da criação do cargo de Correio-mor, equivalente ao de carteiro. Mas foi com Pedro II, dois séculos depois, que as coisas deslancharam. Foi o imperador quem aprovou a reforma postal no país, quando foi criado o primeiro selo brasileiro, o Olho de Boi, o segundo do mundo.
Hoje, quem passa pela Primeiro de Março se depara com um imóvel de portas e janelas fechadas. Além de caixas de correspondência de metal, na cor verde, na parede, a lembrança ao que um dia funcionou ali vem dos letreiros que indicam as iniciais ECT, referência à Empresa de Correios e Telégraphos (grafia com PH, como inscrita na estrutura).
Empresa de Correios e Telégraphos (com PH): grafia antiga exibida na fachada
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Os Correios informam que o imóvel está fechado atualmente, mas não detalham desde quando, tampouco o que funcionava ali até outrora. Buscas pela ferramenta Street View, do Google, mostram que o último registro da agência instalada ali com as portas abertas é de março de 2023. Atualmente, a rampa de metal que dava acesso ao local já foi removida.
O único dano aparente na estrutura se dá numa quina dos fundos do prédio, na esquina da Travessa Tocantins com a Rua Visconde de Itaboraí. Foto feita pelo GLOBO mostra que parte do beiral entre o primeiro e o segundo pavimento caiu. É possível ver até um buraco na parede, em meio à cor alaranjada discrepante ao branco que pinta as paredes do imóvel.
Fundos do prédio dos Correiros está com parede danificada
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Leilão vem aí
Mas o leilão não é nenhuma surpresa. Uma faixa já foi instalada numa das janelas, com direcionamento para site e telefone com detalhes do certame, marcado para a próxima quinta-feira. O anúncio também foi publicado no Diário Oficial da União no último dia 10.
Já no site de leilões indicado, o prédio histórico aparece avaliado em torno de R$ 50 milhões. A construção é descrita como um prédio comercial desocupado com cinco pavimentos, com mais de 9 mil metros quadrados de construção. Só serão aceitos pagamentos à vista, com um prazo de quitação de até 60 dias corridos, contatos a partir do dia da licitação.
Há ainda outros quatro imóveis que os Correios leiloarão no Rio. Na próxima semana, está marcado também o certame envolvendo um prédio comercial no Estácio, com valor inicial de R$ 1,8 milhão. Estão previstos ainda, sem data, leilões de duas antigas agências — uma de filatelia na Rua do Ouvidor 20, no Centro, e outra na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, na Zona Sul — assim como um galpão em Niterói.
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'Mostra o pouco caso que o poder público dá para a História do país', diz historiador sobre leilão de primeira sede dos Correios no Brasil