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Paulo Moll aponta os 7 desafios na saúde para as próximas décadas

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julho 27, 2025
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Paulo Moll, CEO da Rede D'or de hospitais — Foto: Edilson Dantas/ Agência O Globo

Em 2020, aos 38 anos de idade, o economista Paulo Moll assumiu a presidência do maior conglomerado de hospitais privados do país, com 79 unidades espalhadas em 13 estados, além do Distrito Federal, a Rede D’Or. Entre os investimentos de peso sob sua gestão, o grupo investiu em transplantes, na disseminação da IA no dia a dia do médico e no funcionamento das instituições. Em homenagem aos 100 anos do GLOBO, Moll elencou os 7 grandes desafios na saúde do país para o próximo século.

Paulo Moll, CEO da Rede D’or de hospitais — Foto: Edilson Dantas/ Agência O Globo

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  • Incorporação de novas tecnologias e ampliação do acesso
  • Promoção do atendimento humanizado num mundo mais digital
  • Pesquisa científica como alavanca para desenvolvimento nacional
  • Cenário de longevidade mudando o perfil populacional
  • Sustentabilidade firmando compromisso com o futuro
  • Novos parâmetros para a formação dos profissionais de saúde
  • O debate ético sobre aquilo que nos define como humanos
      • Paulo Moll aponta os 7 desafios na saúde para as próximas décadas

Incorporação de novas tecnologias e ampliação do acesso

Ao longo das próximas décadas, um tema que irá se impor de forma ainda mais decisiva é a acelerada adoção de novas tecnologias. Só que esse é apenas um ângulo da questão: para dar conta desse desafio, também é essencial garantir a ampliação do acesso às inovações. A incorporação e o desenvolvimento de suportes mais modernos para exercer a medicina exigem o fundamento de modelos sustentáveis que permitam sua aplicação de forma eficiente. Dado que impulsionar o avanço da tecnologia requer investimentos elevados, soluções inteligentes tornam-se primordiais para expandir seu uso. Otimizar processos, integrar dados e atuar em larga escala – sem perder a excelência clínica – serão vias eficazes para equacionar custos e empregar recursos naquilo que é de fato transformador, como programas de robótica e inteligência artificial (IA). Assim, com ações estruturantes, a tecnologia catalisa a evolução do sistema de saúde, permitindo a expansão e democratização do atendimento de alta complexidade.

Promoção do atendimento humanizado num mundo mais digital

À medida que a tecnologia avança e a IA se torna apoio indispensável, uma nova aliança se estabelece: quanto mais automatizado o cuidado, maior é o campo para humanização. O desafio passa a ser a compreensão de que o paciente deve ser percebido como um ser único — e jamais apenas uma soma de dados. Como estarão cada vez mais livres de ações repetitivas, os médicos e outros profissionais de saúde deverão passar a dedicar mais tempo ao que realmente importa: a escuta, a proximidade e o contato focado na pessoa. Com rapidez, o profissional passa a dispor de mais elementos para decidir diante de doenças complexas. No caso de câncer de pulmão, por exemplo, algoritmos de IA aplicados à radiologia já atuam na identificação precoce de nódulos pulmonares. Isso, combinado a estruturas corretas de atendimento cirúrgico e clínico, leva a desfechos mais favoráveis aos pacientes. Esse cenário tende a evoluir e impactar o tratamento de várias patologias, proporcionando o melhor da medicina a todos.

Pesquisa científica como alavanca para desenvolvimento nacional

Um ponto essencial quando falamos em saúde é entender que investir em ciência é basilar não só para melhorar a assistência médica, mas também para garantir posição de destaque entre países que produzem conhecimento. Esse é um dos principais ativos da economia atual e um pilar para a soberania nacional. A pandemia iniciada em 2020 nos ensinou o peso estratégico de um complexo industrial de saúde robusto, e tal lição deve ser sempre revisitada, sob o risco de estarmos fragilizados em crises futuras. É preciso que estudos se alinhem às necessidades prementes do mundo, integrando a pesquisa à prática clínica, permitindo que avanços científicos se traduzam em resultados para pacientes. Tais diretrizes norteiam as atividades do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, que tem parcerias com universidades de mais de 80 países e desenvolve 14 linhas de pesquisa, sendo responsável por avanços relevantes que contribuíram para compreensão e o enfrentamento de doenças como a covid-19 e o zika vírus.

Cenário de longevidade mudando o perfil populacional

Se a grande conquista do século passado foi viver mais, agora e nas próximas décadas será viver melhor. Em poucos anos, o Brasil terá mais idosos que crianças, invertendo a pirâmide etária e pressionando a saúde, a previdência e até a arquitetura das cidades. O desafio não será só tratar doenças da idade, mas alongar o período em que as pessoas seguem autônomas, produtivas e felizes. Isso pede modelos assistenciais apoiados em prevenção, monitoramento constante e educação em saúde desde cedo. Já se constituiu um salto de qualidade quando um simples exame de sangue passou a revelar, anos antes dos sintomas, a predisposição ao Alzheimer: com esse mapa, médicos podem acionar rotas de neuroproteção, ajustar dieta, exercícios e estímulos cognitivos, reduzindo custos e sofrimento. Em comparação, o estudo do genoma se anuncia como evolução exponencial, aperfeiçoando diagnósticos e facilitando tratamentos. Envelhecer é o destino humano; escolher como chegaremos lá é a agenda que se apresenta.

Sustentabilidade firmando compromisso com o futuro

Não há saúde sustentável num planeta que adoece cada vez mais. Em 2024, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estimou que 13 milhões de pessoas morrem por ano em decorrência de exposição a fatores de risco ambientais, como contaminação do ar e da água. Nas próximas décadas, o setor de saúde deve não apenas alertar para esse quadro, mas sim liderar desde já as transformações necessárias, com uma postura racional no uso de recursos naturais. A redução da emissão de gases poluentes e do consumo de energia é um ponto sensível para o setor, e isso deve ser priorizado no contexto de mudanças climáticas. Na Rede D’Or, temos adotado estratégias nesse sentido. Entre nossas ações, destaca-se a contratação de 100% da energia para hospitais oriunda de fontes renováveis. Além disso, o consumo nas unidades tem sido otimizado por meio de programas de automação. Quanto ao óxido nitroso, tido um dos mais nocivos ao meio ambiente, contribuindo para o efeito estufa, estamos a caminho de zerar seu manejo.

Novos parâmetros para a formação dos profissionais de saúde

Olhar com ainda mais atenção para o ensino em saúde precisa estar entre as prioridades. Uma preocupante realidade é que o mundo já enfrenta escassez de profissionais da área. Somente de enfermeiros, segundo a OMS, o déficit é de 5,8 milhões. E ainda há o desafio de aperfeiçoar a formação, em um cenário de currículos universitários impelidos a uma atualização constante frente a avanços em série da medicina. São transformações que extrapolam o conhecimento da saúde como lidamos até então, tangenciando as engenharias e a computação. Hoje, profissionais precisam chegar à linha de frente com preparo adequado em inteligência artificial, bioinformática e robótica. Nesse ritmo, o Brasil precisará renovar esforços para aproximar ensino e prática clínica. Esse é o cenário pela frente: integrar estudantes a ecossistemas com dados reais, simulações em realidade virtual e discussões sobre ética — sem perder o toque humano. Trata-se de virada pedagógica que vai requerer um permanente engajamento.

O debate ético sobre aquilo que nos define como humanos

Ao passo em que avançamos para o futuro, a saúde enfrentará desafios que transcendem a tecnologia e a ciência — eles entram no campo profundo da ética e da responsabilidade. Promover debates sobre a aplicação das inovações será imprescindível para guiar decisões complexas que envolvem, de um lado, IA e privacidade de dados. Sem esse diálogo, corremos o risco de perder o foco no cuidado voltado à dignidade e ao respeito à vida em sociedade. Só que, num horizonte de décadas, o desafio vai além: o estudo da genética tem trazido a um novo patamar a reflexão sobre nossa condição como espécie. O desenvolvimento de interfaces entre humanos e máquinas, bem como entre humanos e o meio ambiente, mexe com nossa essência. Este é um dos maiores desafios que enfrentaremos nesse novo ciclo: garantir que o avanço científico e tecnológico esteja aliado a valores éticos e conhecimento compartilhado. Só assim, poderemos construir um sistema de saúde humano, justo e sustentável para as próximas gerações.

*Em depoimento a Adriana Dias Lopes

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