O PCC ampliou sua atuação no setor comercial com a inclusão de redes de conveniências e padarias, muitas delas abertas em nome de “laranjas” e encerradas rapidamente para camuflar a sucessão de empresas. O esquema foi desvendado pela Operação Carbono Oculto, que revelou também que o grupo criminoso executava fraudes tributárias, estelionato e lavagem de capitais em movimentações que superam R$ 8,4 bilhões pelas lideranças. Essa foi a maior operação em cifras movimentadas envolvendo o PCC.
- Leia mais: Entenda o esquema fraudulento bilionário do PCC no setor de combustíveis
- Motoboys, eletricistas e até um morto: investigação aponta que PCC usou rede de laranjas em esquema de lavagem de dinheiro
Algumas dessas padarias são a Iracema, em Santa Cecília (região central), a Salamanca, na Vila Campestre (zona sul), além de outras lojas com endereços em bairros como Brooklin, Santa Teresinha (zona norte), Tatuapé (zona leste) e Osasco, na Grande São Paulo.
A empresária Maria Edenize Gomes, moradora de Santo Amaro das Brotas, na região metropolitana de Aracaju, é identificada pelos investigadores como a atual proprietária da Dubai e assumiu a titularidade de 17 das 18 pessoas jurídicas que pertenciam à sua vizinha, Ellen Bianca de Franca Santana Resende, uma cuidadora cujo salário registrado em carteira é de R$ 1.461. A transferência de empresas envolveu padarias e empresas ligadas a postos de combustíveis.
Suas padarias utilizam nomes semelhantes, como Salamanca e Iracema, que também aparecem vinculados a Tharek Majide Bannout, cunhado do primo de Mohamad Hussein Mourad, considerado um dos principais operadores do esquema criminoso, que envolve fraudes fiscais, contábeis, estelionato e lavagem de dinheiro.
Tharek Majide Bannout também foi identificado em quadros societários de outras padarias, como TMJ Consultoria e Gestão Empresarial Ltda., Nova Iracema Pães e Doces Ltda. e Nova Salamanca Pães e Doces Ltda., com indícios de utilização de nomes semelhantes para ocultação de propriedade.
Entre os negócios identificados pelos investigadores estão ainda a Khadige Conveniência Ltda e a Empório Express Ltda, cujas movimentações atípicas e encerramentos rápidos levantaram suspeitas de ocultação de titularidade.
Uma loja de conveniência, por exemplo, continua em nome de Ellen Bianca, que recebeu a empresa de Alexandre Motta de Souza, alvo de mandado de busca e apreensão da Polícia Federal.
Motta de Souza e sua esposa, Luciane Gonçalves Brene Motta de Souza, são investigados por fraudes, incluindo adulteração de qualidade de combustível e volume das bombas. Luciane aparece como sócia em 12 empresas ligadas a Lucas Tomé Assunção, apontado como contador de Mohamad Hussein Mourad.
A investigação mostra que a instrumentalização de padarias, conveniências e postos de combustíveis pelo grupo criminoso tem papel central na lavagem de capitais, na ocultação de patrimônio e na perpetração de fraudes. Redes inteiras de empresas foram constituídas em nome de laranjas e encerradas em poucos meses, dificultando a rastreabilidade e a identificação dos verdadeiros donos.
O Ministério Público pleiteia acesso a sedes de pessoas jurídicas que atuam no ecossistema da cadeia produtiva e de comercialização de combustíveis, incluindo gestoras de redes de postos, conveniências e padarias, para apreender documentos e evidências que permitam identificar os reais proprietários e operadores.