O brasileiro Yuri Bezerra da Costa, de 25 anos, foi preso na Indonésia sob a acusação de tentar entrar com mais de três quilos de cocaína na ilha turística de Bali. O caso, revelado ontem pela agência nacional antidrogas, pode resultar em pena de morte, já que o país asiático tem uma das legislações mais rígidas do mundo contra o tráfico de entorpecentes. Ao menos dois brasileiros já foram executados por pelotões de fuzilamento no país pelo crime. Recentemente, no entanto, uma nacional consegui escapar da pena capital.
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Relembre abaixo outros casos:
- Marco Archer: Em 2004, Archer foi preso no aeroporto de Jacarta enquanto tentava entrar com cerca de 13 quilos de cocaína escondidos nos tubos de uma asa-delta desmontada. Foi condenado a pena de morte e executado por fuzilamento na ilha de Nusakambangan em 18 de janeiro de 2015.
- Rodrigo Gularte: Também foi executado por tráfico de cocaína poucos meses depois, em 29 de abril de 2015. Gularte havia sido preso em 2004 em Jacarta ao tentar transportar seis quilos da droga em pranchas de surfe. Seu diagnóstico de esquizofrenia paranoide motivou apelos humanitários, mas a pena foi mantida.
- Manuela Farias: Ela escapou da pena de morte ao ser detida no aeroporto de Bali com quatro quilos de cocaína distribuídos na bagagem em 31 de dezembro de 2022. Manuela havia dito a parentes que viajaria ao país para passar a virada do ano com o namorado. Em junho, ela foi condenada a 11 anos de reclusão.
Yuri viajava sozinho quando foi detido no último dia 13, no aeroporto de Bali. Ele transportava duas bolsas com a droga, uma na mochila; outra na mala. Durante coletiva de imprensa, o representante da agência antidrogas Sinar Subawa afirmou que o brasileiro entregaria o material a um morador de Bali.
Em interrogatório, Yuri afirmou ter recebido um adiantamento de US$ 500 ao deixar o Brasil. Após a entrega, ele seria pago com o equivalente a R$ 135 mil. Yuri também confessou que transportou a droga até o país a pedido de um homem identificado apenas como Tio Paulo. Procurado, o Itamaraty disse que presta assistência consular ao brasileiro.
O tráfico de drogas pode ser punido com pena de morte na Indonésia. Atualmente, dezenas de pessoas — incluindo uma avó britânica condenada por contrabando de cocaína — aguardam no corredor da morte. As últimas execuções ocorreram em 2016, quando um indonésio e três nigerianos foram fuzilados.
Ao longo dos anos 2000 e 2010, brasileiros foram presos na Indonésia por tentar entrar no país com quantidades significativas de drogas. Um dos casos mais graves ocorreu com Marco Archer Cardoso Moreira, preso em 2004 no aeroporto de Jacarta, após tentar entrar com cerca de 13 quilos de cocaína escondidos nos tubos de uma asa-delta desmontada. Condenado à pena de morte naquele mesmo ano, Archer foi executado por fuzilamento na ilha de Nusakambangan em 2015.
Poucos meses depois, em 29 de abril de 2015, outro brasileiro, Rodrigo Muxfeldt Gularte, foi executado na mesma prisão, também por tráfico de cocaína. Ele havia sido preso em 2004 em Jacarta ao tentar transportar seis quilos de cocaína em pranchas de surfe. Apesar de sofrer de esquizofrenia paranoide, condição que motivou apelos humanitários, sua execução foi mantida, gerando forte repercussão diplomática e críticas de organismos internacionais.
Nem todos os casos, no entanto, resultam em pena de morte. Em 31 de dezembro de 2022, Manuela Vitória de Araújo Farias foi detida, no mesmo aeroporto em que Yuri foi pego, com três quilos de cocaína distribuídos na bagagem. Moradora de Santa Catarina, ela relatou ter sido aliciada por uma organização criminosa que ofereceu, em troca de seu trabalho como “mula” do tráfico, uma passagem grátis para a Indonésia e aulas de surfe no destino turístico. Para familiares, ela havia dito que viajaria para passar a virada do ano com o namorado. Em junho de 2023, ela foi condenada a 11 anos de reclusão.
Segundo o advogado Telêmaco de Oliveira, que já atuou em casos de tráfico em países daquela região, a Indonésia adota uma política de “tolerância zero” para esses crimes, com a pena capital sendo aplicada aos casos de larga escala, especialmente para substâncias como metanfetamina, cocaína e heroína. Mas mesmo pequenas doses já podem levar até a 12 anos de prisão:
— O grande problema é que a lei indonésia não diferencia claramente os níveis de envolvimento no tráfico de drogas, o que significa que usuários podem ser acusados com as mesmas provisões que grandes traficantes.