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Trump faz discurso sobre o sistema eleitoral dos EUA e deve abordar velhas teorias da conspiração; acompanhe

Por · julho 16, 2026
Trump faz discurso sobre o sistema eleitoral dos EUA e deve abordar velhas teorias da conspiração; acompanhe


O presidente dos EUA, Donald Trump, faz em instantes o que pode ser seu mais agudo ataque ao sistema eleitoral americano — o mesmo que o levou duas vezes à Presidência —, centrado na derrota para o democrata Joe Biden em 2020, até hoje fonte de conspirações e acusações jamais comprovadas. Diante do que pesquisas apontam para uma provável derrota nas eleições legislativas de novembro, o republicano tem questionado o sistema e apelado a métodos pouco ortodoxos para garantir que os resultados sejam de seu agrado.
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A Casa Branca não antecipou detalhes, mas de acordo com a imprensa americana, a expectativa é de que Trump use o tempo normalmente destinado a anúncios de grande importância nacional para requentar velhas acusações.
Uma delas envolve a interferência de outros países na campanha de 2020 — no passado, a comunidade de inteligência dos EUA disse ter encontrado indícios de ações da Rússia e do Irã, mas voltadas a impulsionar o nome de Trump e sem envolver tentativas de adulteração de resultados. Como revelou a agência Reuters, o alvo da vez será a China.
— O presidente fará um anúncio muito importante a respeito da integridade de nossas eleições — disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, na quinta-feira. —Tudo o que ele disser será respaldado por fatos e evidências.
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Como parte de sua obsessão com os resultados de 2020, especialmente da Geórgia — onde ordenou que as autoridades locais “encontrassem” os votos necessários para derrotar Biden —, foi ventilada em Washington a possibilidade de que o republicano declare que a eleição no estado naquele ano foi ilegítima, e que os mandatos dos eleitos, especialmente de dois senadores democratas, não valem.
— Eis o que vai acontecer hoje à noite: o mau perdedor mais famoso do mundo fará um discurso presidencial em horário nobre, movido pelo ressentimento, para insistir em suas queixas infantis sobre a eleição de 2020, enquanto sua guerra no Oriente Médio sai de controle e o custo de vida continua a subir para os americanos em todo o país — disse nesta quinta-feira, antes do discurso, o senador Jon Ossof, que à época desbancou o republicano David Perdue, citado pela rede ABC.
Outro possível alvo é um velho conhecido: as urnas eletrônicas, exorcizadas pela direita trumpista, e que turbinam teorias da conspiração sobre uma manipulação organizada pelo governo da Venezuela em 2020. Recentemente, Trump determinou uma varredura nos equipamentos, e em fevereiro a então diretora da Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, realizou uma análise em máquinas usadas em Porto Rico, um território americano que não vota para presidente. Não foram encontradas irregularidades.
— Não sei o que ele vai dizer. A única coisa que posso dizer é que estamos focados na eleição de 2026, pelo menos eu estou, e acredito que a maioria dos meus colegas também — disse o líder da maioria republicana no Senado, John Thune, dizendo nas entrelinhas que apontar fraudes imaginárias não deveria ser a prioridade da campanha.
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Ao contrário da maioria dos países, incluindo aqueles que vivem a democracia plena os que usam o voto para fingir que são livres, os Estados Unidos não têm um sistema nacional e unificado de votação, e dependem de regras estaduais ou locais. Não raro, é a imprensa que assume o papel de consolidar tendências e resultados e projetar os vencedores.
Diante de uma míriade de formatos, desde os eletrônicos até as cédulas de papel (cujo preenchimento causou uma histórica disputa na eleição de 2000) e o voto por correio, escolhido por Trump como inimigo após sua derrota para Biden em 2020 (apesar do republicano ter usado o método em mais de uma ocasião), as intempéries surgem com frequência. Mas jamais houve um volume de queixas como visto com Trump nos últimos seis anos, mesmo depois de sua vitória em 2024. Algumas TVs, como as redes ABC, CNN e NBC, anunciaram que não pretendem exibir a fala.
— Temos um trabalho importante a realizar, e acredito que o mais importante deles se aproxima agora, com as eleições de meio de mandato — disse à rede ABC o senador republicano John Cornyn, que perdeu as primárias no Texas para um candidato apoiado por Trump. — Não creio que estejamos prestando um serviço útil ao ficar falando sobre o que aconteceu seis anos atrás.
Preocupação entre aliados
A vida do presidente promete ser difícil nas eleições de novembro, que renovarão a Câmara e dois terços do Senado, hoje sob comando republicano. Segundo as pesquisas, o Partido Democrata tem grandes chances de retomar ao menos uma das Casas, o que pode tornar os dois últimos anos de mandato presidencial um mero exercício de frustrações legislativas. Ao contrário do que prometeu em 2024, o custo de vida não teve uma queda expressiva, e as políticas de seu segundo mandato, centradas em um ordem conservadora e narcisista, não serviram para ampliar a base de apoiadores.
— Se você me perguntar: quando pais e mães se deitam para dormir à noite e não conseguem, com o que eles mais se preocupam? Eu diria que é com o custo de vida — disse o senador republicano John Kennedy ao portal Politico. — É nisso que eu acredito, mas ele é o presidente, foi eleito pelo povo e pode falar sobre o que quiser.
A guerra contra o Irã — contrariando sua promessa de não envolver os EUA em novos conflitos —, contribuiu para a queda da aprovação até entre republicanos. Os impactos da “Operação Fúria Épica” no bolso, em especial nos postos de combustível, foram encarados por analistas e até aliados como uma pá de cal. Segundo pesquisa Washington Post-Ipsos, divulgada na quarta-feira, a desaprovação dele é de 61%, chegando a 65% entre os eleitores independentes. Os índices são relativamente elevados em nichos leais ao trumpismo, como homens brancos (54%), evangélicos brancos (30%) e em áreas rurais (48%).
— Se passarmos o tempo olhando pelo retrovisor em vez de pelo para-brisa, levaremos nossa coalizão direto para um precipício político — disse um membro de uma campanha republicana ao Senado, em condição de anonimato ao Politico.
Para reverter ou amenizar a derrota o Partido Republicano se lançou em uma cruzada para reorganizar os distritos eleitorais, manobra possível graças ao sistema bipartidário e às tendências históricas de votação, também replicada pelo Partido Democrata. Em outra frente, Trump anunciou que poderá cortar milhões de dólares em verbas federais para o combate ao terrorismo para estados que não aceitarem suas regras eleitorais, como a adoção de cédulas de papel, a realização de auditorias amplas e medidas para comprovar a cidadania dos eleitores. Para críticos, uma decisão para minar a confiança em resultados que não sejam favoráveis ​​ao republicano.

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