Mediadores regionais intensificaram, nesta sexta-feira, os esforços para evitar que Estados Unidos e Irã retornem a uma guerra aberta, enquanto Washington e Teerã mantêm um discurso ambíguo que mistura ameaças militares e disposição para negociar. Embora os ataques entre os dois países tenham diminuído de intensidade nas últimas horas, o presidente americano, Donald Trump, reafirmou que o cessar-fogo firmado em abril está “encerrado”, ao mesmo tempo em que disse ter aceitado retomar as conversas com os iranianos.
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“O Irã nos pediu para continuar as ‘conversas’. Concordamos em fazê-lo, mas os Estados Unidos comunicaram a eles, sem qualquer dúvida, que o cessar-fogo FOI ENCERRADO”, escreveu Trump, nesta sexta-feira, em sua plataforma Truth Social.
A declaração ocorreu enquanto o Catar, principal mediador da trégua alcançada no mês passado, mantinha contatos com autoridades americanas e iranianas na tentativa de reduzir as tensões, segundo fontes ouvidas pelo New York Times. O objetivo é impedir que a sequência de ataques registrada nos últimos dias evolua para uma nova fase da guerra iniciada em fevereiro.
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Apesar dos esforços diplomáticos, o clima permanece volátil. Nos últimos dias, diversos países do Oriente Médio que abrigam bases militares americanas — entre eles Bahrein, Kuwait e Jordânia — relataram ataques iranianos. Ao mesmo tempo, Teerã ameaçou ampliar suas ações contra instalações dos EUA na região caso os bombardeios americanos continuem.
Nesta sexta, Mohammad Bagher Zolghadr, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, advertiu que “ataques contra infraestrutura serão respondidos com ações recíprocas”. O governo iraniano também acusou Washington de atingir linhas ferroviárias no norte do país nesta semana.
Escalada após a trégua
A atual crise representa mais um abalo no cessar-fogo firmado em 8 de abril, que havia encerrado semanas de confrontos após os ataques conjuntos de EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.
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Desde então, porém, o acordo foi marcado por sucessivos episódios de violência. O padrão se repetiu novamente nesta semana: embarcações comerciais foram atacadas no Estreito de Ormuz em ações atribuídas ao Irã; os EUA responderam com bombardeios; Teerã retaliou com drones e mísseis contra ativos americanos na região; e as hostilidades voltaram a um impasse frágil.
O Estreito de Ormuz tornou-se o principal foco da disputa. Washington acusa o Irã de ameaçar o tráfego marítimo em uma das rotas energéticas mais importantes do mundo. Já Teerã sustenta que os navios devem seguir corredores específicos próximos às suas águas territoriais.
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A divergência também expôs ambiguidades do memorando de entendimento assinado entre os dois países em junho. O documento previa que o Irã colaboraria para garantir a passagem segura de embarcações comerciais pelo estreito, mas não detalhava como isso deveria ocorrer.
Bombardeios e negociações
Na quinta-feira, o Comando Central dos EUA (Centcom) informou ter atingido mais de 170 alvos iranianos nas 48 horas anteriores, uma das maiores operações militares desde a assinatura da trégua. Segundo os militares americanos, os bombardeios tiveram como alvo instalações militares na costa iraniana e buscavam reduzir a capacidade de Teerã de ameaçar a navegação no Estreito de Ormuz.
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De acordo com o Ministério da Saúde do Irã, os dois dias de ataques deixaram ao menos 14 mortos e 78 feridos. Os bombardeios ocorreram durante as cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano morto nos ataques conjuntos dos EUA e de Israel em fevereiro.
Mesmo declarando o fim do cessar-fogo, Trump sinalizou que ainda vê espaço para uma saída diplomática. Durante a cúpula da Otan realizada nesta semana em Ancara, na Turquia, o presidente afirmou que conversaria com seu enviado especial, Steve Witkoff, e com seu genro Jared Kushner, ambos envolvidos nas negociações com Teerã.
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O republicano também acusou o governo iraniano de distorcer os termos do acordo firmado em junho, mas insistiu que a continuidade das negociações dependerá de uma decisão das autoridades iranianas.
Até a manhã desta sexta-feira, o Centcom não havia anunciado novos ataques. Ainda assim, relatos desencontrados sobre explosões no sul do Irã alimentaram temores de uma nova escalada, evidenciando a fragilidade do atual impasse entre Washington e Teerã.
(Com New York Times e AFP)

