A defesa do senador Flávio Bolsonaro reforçou nesta terça-feira, no Supremo Tribunal Federal, o pedido de investigação sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por chamar o parlamentar de “traidor da pátria”. Flávio quer que o chefe do Executivo seja alvo de um inquérito por suposta ameaça e incitação ao crime, em razão de uma fala do petista durante convenção do PDT, na semana passada.
Os advogados do parlamentar dizem que, na ocasião, Lula repetiu as frases que levaram Flávio a acionar o STF, em junho, contra o atual presidente. Daquela vez, Flávio questionou um discurso feito por Lula em Catalão (GO), no qual o político chamou os Bolsonaro de “vendilhões da pátria” e defendeu “forca” para traidores da pátria. — São traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado — disse.
Segundo a defesa do senador, Lula “voltou a associar a figura de ‘traidor’ ao enforcamento” durante a convenção do PDT. Os advogados alegam que o episódio configura uma “reiteração consciente, deliberada e pública” do discurso que levou Flávio a acionar o STF em junho.
Na primeira notícia-crime, os advogados Tracy Reinaldet, Matteus Macedo e Leonardo Castegnaro sustentaram que Lula ultrapassou os limites do embate político ao comentar a viagem de integrantes da família Bolsonaro aos Estados Unidos e classificá-los como “traidores da pátria”.
Agora, a defesa argumenta que as declarações de Lula não seriam “lapsos retóricos isolados”, mas configurariam “incitação à violência política como instrumento de disputa eleitoral”. Os pedidos estão no gabinete do ministro Kassio Nunes Marques, mas não houve decisão sobre a abertura de inquérito.

