Após a direção do Republicanos anunciar que o senador Cleitinho Azevedo não será lançado candidato na disputa pelo Executivo de Minas Gerais, o governador Mateus Simões (PSD) afirmou que se “solidariza” com o parlamentar depois de ele ter sido “atropelado” pelo comando de seu partido. O mandatário é pré-candidato à reeleição e enfrenta a ameaça de traição de Marcelo Aro (PP), ex-secretário da Casa Civil da gestão de Romeu Zema (Novo), que negocia concorrer ao governo.
— Eu me solidarizo com o senador Cleitinho. O anúncio ser feito com a nota que o presidente estadual soltou me parece um atropelamento, reclamando publicamente do senador — disse Simões ao GLOBO.
Questionado sobre a candidatura de Aro, que vem sendo articulada nos bastidores por integrantes do PL e Republicanos, o governador negou a negociação com o ex-secretário e reafirmou que mantém espaço na sua composição para que o ex-secretário concorra ao Senado.
— Nenhuma [sinalização]. Da minha parte, como diria meu avô: palavra não faz curva. Ele tem a posição de senador na minha chapa, como foi ajustado com a federação União/PP — complementou, repetindo a opinião expressa ontem, antes do anúncio do veto do Republicanos à candidatura de Cleitinho.
Mesmo com o espaço previsto na chapa majoritária de Simões, Aro vinha se manifestando contrário à chance de dividir a composição com o senador Carlos (PSD), filiado ao mesmo partido que o governador e interessado na reeleição. Diante da indefinição de Cleitinho, o ex-secretário passou a articular nos últimos dias a possibilidade de disputar o comando do estado e angariou o apoio de representantes tanto no comando do Republicanos quanto do PL, que buscam por um palanque para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no estado.
Na noite de ontem, o senador sinalizou que poderia concorrer ao governo em um vídeo criado por inteligência artificial (IA) publicado nas redes sociais, mas foi desautorizado em nota publicada pelos diretórios nacional e estadual do Republicanos. No comunicado, a sigla criticou os “sinais contraditórios” dados pelo parlamentar e citou a ausência dele na convenção estadual do partido no último sábado.
A negativa do partido foi vista como uma “puxada de tapete” pelo entorno do senador, que atua nesta quarta-feira para tentar reverter a decisão. O grupo reafirma que Cleitinho pretende concorrer ao governo e cita o vídeo divulgado por ele como uma sinalização da sua decisão.
Dados da pesquisa Genial/Quaest divulgados ontem mostram o senador na liderança, com 35% das intenções de voto, seguido de Alexandre Kalil (PDT), com 12%, e do deputado federal Patrus Ananias (PT), com 10%, enquanto Simões pontua 6%. Já em um cenário sem Cleitinho, o pedetista tem 15%, o petista pontua 13% e o governador tem 9%.

