O Haiti registrou, na primeira metade deste ano, mais de 5.500 casos de violência sexual, a maioria envolvendo estupros de mulheres e meninas, informou a ONU nesta quarta-feira. Mergulhado em uma profunda crise política, social e econômica, o país enfrenta a violência de gangues que cometem assassinatos, estupros, saques e sequestros.
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As autoridades locais registraram mais de 1.000 casos de violência sexual somente em junho. O porta-voz da ONU, Farhan Haq, alertou para um “aumento alarmante” desse tipo de agressão. De acordo com ele, das mais de 5.500 agressões sexuais registradas no primeiro semestre deste ano, mais de 3.000 ocorreram entre abril e junho.
Os números representam um aumento proporcional em relação ao ano passado, quando foram registrados pouco mais de 8.000 casos, destacou Haq.
Força queniana partiu para o Haiti para liderar uma missão multinacional apoiada pela ONU para combater a violência de gangues no país caribenho
Luis Tato/AFP
Metade das vítimas são mulheres deslocadas
Cerca de 70% dos casos de violência sexual registrados no primeiro semestre de 2026 no Haiti foram estupros, muitos deles perpetrados por gangues de homens armados. Mais da metade das vítimas eram mulheres deslocadas.
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Especialistas já haviam alertado para a violência sexual desenfreada no Haiti. Youri Saadallah, do Conselho Norueguês para Refugiados, advertiu que mulheres e meninas estavam “sendo usadas como campo de batalha”.
A ONU mobilizou um contingente denominado Força de Repressão às Gangues, após o fracasso de uma força militar multinacional liderada pelo Quênia em sua missão de estabilizar o país. Segundo a ONU, 1,5 milhão dos 11 milhões de habitantes do país estão deslocados, e mais de 5 milhões enfrentam grave insegurança alimentar.

