O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) afirmou nesta quarta-feira que manterá sua candidatura ao governo de Minas Gerais, apesar da decisão do Republicanos de retirar seu nome da disputa. Em entrevista coletiva em Divinópolis, o parlamentar disse que concorrerá ao lado do ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão como candidato a vice, negou que tenha hesitado em disputar a eleição e chamou de “conversa fiada” as críticas feitas pela direção do partido.
— Sou candidato a governador junto com o Falcão como vice. Tem quase 50% da população mineira que quer que eu venha candidato a governador.
Cleitinho também rebateu a nota divulgada pelo Republicanos para justificar a retirada de sua candidatura e afirmou que sempre condicionou sua entrada na disputa à manutenção da liderança nas pesquisas.
— Não concordo com a nota do Republicanos. Ontem mesmo saiu uma pesquisa dizendo que eu lidero em todos os cenários. Desde o ano passado estou mostrando as pesquisas e dizendo para a direita se unir. Sempre disse que, se chegasse em agosto liderando as pesquisas, seria candidato. A voz do povo é a voz de Deus.
O senador atribuiu a demora em oficializar a candidatura ao tratamento de saúde e à morte do irmão, Matheus Azevedo, e criticou a postura da legenda.
— Eu só lancei minha candidatura agora porque minha família tem trauma com câncer. Meu irmão teve leucemia. Em janeiro voltou. Ele ficou mais de 40 dias internado no hospital. Eles não respeitaram nem o meu luto, nem a minha dor.
Ao comentar as críticas de dirigentes do Republicanos, acrescentou:
— Foi um bando de conversa fiada. Dizendo que estou com medo de ser candidato, de prometer e não cumprir. Eu não sou vocês, vagabundos. Eu não tenho lobby.
A declaração ocorre no momento em que Cleitinho vive a maior crise política desde que iniciou as articulações para disputar o governo de Minas Gerais. Apesar de liderar as pesquisas de intenção de voto, o Republicanos decidiu retirar seu nome da disputa e passou a construir um acordo para apoiar o ex-secretário da Casa Civil Marcelo Aro (PP), em aliança com o PL.
A decisão foi tomada após meses de indefinição sobre a candidatura do senador. A direção do Republicanos afirma que aguardou uma manifestação clara de Cleitinho até a convenção estadual da legenda, realizada no último sábado, mas concluiu que a falta de uma confirmação inviabilizava a organização da chapa e das alianças para a eleição. O partido sustenta que precisou reorganizar seu projeto político diante da demora do parlamentar em assumir publicamente a candidatura.
O estopim da crise ocorreu na noite de terça-feira. Enquanto Cleitinho divulgava um vídeo afirmando que aceitava a missão de disputar o governo do estado, dirigentes do Republicanos e do PL se reuniam com Marcelo Aro, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) e o senador Rogério Marinho (PL-RN) para avançar em um acordo em torno da candidatura do ex-secretário ao Palácio Tiradentes.
A decisão foi recebida como uma “puxada de tapete” pelo entorno de Cleitinho. Aliados afirmam que o senador nunca desistiu da disputa e atribuem o silêncio das últimas semanas ao luto pela morte do irmão mais novo, Matheus Azevedo. Já a direção do Republicanos argumenta que a indefinição prolongada gerou insegurança entre os partidos aliados e dificultou a construção de uma candidatura única da direita em Minas Gerais.
Nos bastidores, dirigentes da legenda passaram a classificar Cleitinho como um político instável, avaliando que as sucessivas mudanças de posição sobre a candidatura comprometeram a confiança dos aliados. O partido também demonstrou preocupação com a possibilidade de o senador adotar um discurso crítico à própria legenda durante a campanha, caso fosse confirmado como candidato.

