A Uefa anunciou na quinta-feira (30) que não participará das competições da Fifa após a revelação do plano de Gianni Infantino de vender parte da receita da Copa do Mundo para investidores de capital privado.
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A Fifa supervisiona doze competições de futebol, futsal e futebol de areia, divididas em torneios masculinos e femininos. Seu evento principal é a Copa do Mundo, que possui versões para seleções principais, sub-20 e sub-17. Todas as três em versões masculina e feminina.
As competições de clubes incluem o Mundial de Clubes, a Copa Intercontinental e a Liga dos Campeões Feminina. Outras modalidades incluem a Copa do Mundo de Futsal (masculina e feminina) e a Copa do Mundo de Futebol de Areia.
A curto prazo, o boicote significa que a Uefa não participará da Copa do Mundo Feminina Sub-20 da Fifa, que será realizada na Polônia de 5 a 27 de setembro. O país anfitrião, juntamente com Inglaterra, França, Itália, Portugal e Espanha, se classificou pela entidade máxima do futebol europeu. Eles também ficarão de fora da Copa do Mundo Feminina Sub-17 da Fifa, que acontecerá no Marrocos de 17 de outubro a 7 de novembro — para a qual França, Alemanha, Noruega, Polônia e Espanha já estão classificadas — e da Copa do Mundo Masculina Sub-17 da Fifa, no Catar, de 19 de novembro a 13 de dezembro — que inclui Bélgica, Croácia, Dinamarca, França, Grécia, Itália, Montenegro, Irlanda, Romênia, Sérvia e Espanha.
Além disso, em 2027, eles perderiam a Copa do Mundo Feminina da Fifa no Brasil — para a qual Dinamarca, França, Alemanha e Espanha já estão classificadas — de 24 de junho a 25 de julho.
Caso o boicote se alongue, a Uefa poderá perder a competição mais importante organizada pela entidade máxima do futebol mundial: a Copa do Mundo de 2030 no Marrocos, Portugal e Espanha.
Plano de Infantino
A Fifa está avaliando a possibilidade de uma profunda reestruturação de seu modelo de negócios para maximizar o potencial comercial de suas competições. A organização recebeu uma proposta para integrar os direitos comerciais da entidade, incluindo transmissões, patrocínios, venda de ingressos e licenciamento, à gestão operacional dos torneios que organiza. Para tanto, está sendo considerada a criação de uma nova estrutura chamada Fifa Forward Enterprise (FFE).
No âmbito da proposta Fifa Forward Enterprise (FFE), a organização está avaliando o lançamento do Programa de Financiamento Fifa Forward (FFFP), um mecanismo de adesão voluntária que ofereceria às federações nacionais acesso a financiamento adicional para projetos de desenvolvimento de grande escala.
A iniciativa visa fornecer ferramentas para investimentos que normalmente excedem o escopo financeiro de um único ciclo de financiamento, como a construção ou modernização de estádios, centros de treinamento nacionais e outros projetos de infraestrutura de longo prazo.
De acordo com a proposta, cada uma das 211 associações membros teria a opção de acessar voluntariamente um capital extraordinário de até US$ 20 milhões. A participação no programa não seria obrigatória, e cada federação poderia decidir livremente se deseja ou não aderir.
Como parte da estratégia, a Fifa está considerando incorporar investidores externos por meio de participações minoritárias, sem controle acionário, na Fifa Forward Enterprise.
Reclamação da Uefa
As federações-membro emitiram um comunicado afirmando que, caso o plano de Infantino seja aprovado, elas não participarão das competições da Fifa.
— A Copa do Mundo não pode ser considerada um produto de investimento. É um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações graças ao trabalho de jogadores, seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela jamais deveria ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda — declarou o comunicado enfático.
Acrescentaram:
— É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à beira da aprovação sem uma consulta significativa com os responsáveis pela gestão do esporte. Isso representa não apenas uma profunda falta de liderança, mas também uma abdicação do dever da Fifa como garantidora do futebol mundial.

