A história de Niterói pode ser contada por muitos caminhos. Um deles passa pela música. Da modinha anônima “Saudades de Niterói”, do século XIX, ao rap de grupos como Oriente e artistas como Black Alien, a cidade inspirou compositores de diferentes épocas e estilos. Esse repertório é a base de “Niterói En(canto): a cidade em 32 canções”, novo livro do historiador Victor Andrade de Melo, que será lançado neste sábado (1º), das 10h30 ás 13h, na Biblioteca Parque de Niterói, com a abertura de uma exposição inspirada na obra.
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Professor da UFRJ e autor de outros livros sobre a cidade, Melo conta que a ideia surgiu durante suas pesquisas sobre a história de Niterói. Ao perceber a quantidade de composições dedicadas ao município, decidiu investigar o tema de forma mais ampla.
— Sempre busco o olhar de artistas para perceber as diferentes representações de uma cidade. Nesse processo, fui identificando que muitos músicos dedicaram composições à Cidade Sorriso ou a citaram em suas letras. A proposta foi pesquisar o maior número possível dessas canções e escolher algumas para discutir os olhares sobre Niterói, considerando que os compositores são tradutores e forjadores do espírito de um tempo e de identidades — afirma.
Ao todo, a pesquisa identificou 243 músicas que fazem referência à cidade. Destas, 32 foram selecionadas para o livro, organizadas em ordem cronológica de lançamento. O levantamento consultou acervos como a Discografia Brasileira, do Instituto Moreira Salles; o Instituto Memória Musical Brasileira; o Instituto Piano Brasileiro; e a Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.
A publicação percorre mais de um século de produção musical, reunindo sambas, marchinhas, tangos, maxixes, canções populares e rap. Além de apresentar o contexto de cada composição, a obra propõe reflexões sobre três eixos: a cartografia afetiva da cidade, as relações de Niterói com o Rio e as diferentes formas de definir o que é ser niteroiense.
Para o autor, não há uma única música capaz de resumir a identidade da cidade.
— Seria difícil escolher uma música que sintetize o espírito de Niterói. Há desde composições apaixonadas pela cidade até outras bastante críticas. Esse conjunto revela justamente a riqueza de olhares sobre Niterói e suas transformações ao longo do tempo — diz.
Os leitores também poderão ouvir as canções durante a leitura por meio de QR Codes no livro.
— Espero que a obra divirta o leitor, contribua para que ele conheça um pouco da história da cidade e crie encantamentos com a nossa Cidade Sorriso. Essas canções também são sobre nós, niteroienses de origem ou não, que seguimos apaixonados pela cidade. Críticos, sim e sempre, mas sem perder a ternura jamais — afirma Melo.
A exposição, concebida pela museóloga e designer Cristina Mitidieri, amplia a experiência proposta pelo livro. Pensada para circular por diferentes espaços, ela reúne painéis com informações sobre cada uma das 32 músicas, trechos das letras, QR Codes para audição das canções e um vídeo em que o autor apresenta os bastidores da pesquisa.
— A exposição nasceu para ampliar o alcance do livro e compartilhar os resultados da pesquisa com públicos os mais diversos possíveis. O grande desafio era apresentar sons em uma mostra visual, e os QR Codes foram fundamentais para tornar essa experiência mais completa — explica Cristina.
Segundo a curadora, a mostra oferece diferentes formas de interação. O visitante pode percorrer os painéis para conhecer a pesquisa e, individualmente, ouvir as músicas em seu celular, utilizando fones de ouvido. Após a visita, ainda será possível acessar on-line o conteúdo da exposição, incluindo playlists com as canções, um PDF dos painéis e o vídeo produzido para o projeto.
— Espero que as pessoas saiam encantadas com Niterói, mas principalmente com as muitas cidades que coexistem dentro da mesma Niterói, ao longo do tempo e sob diferentes perspectivas — conclui.

