Muitas são as dúvidas inspiradas pelo sódio. De “inimigo invisível” que pode causar sérios riscos para a saúde, o sódio pode, sim, compor uma dieta saudável, mas é preciso estar atento à quantidade. É por isso que o Vida Boa da semana se dedicou a esse tema — e você pode recapitular toda a semana aqui.
Nessa última etapa dedicada ao sódio, você poderá ler as respostas sobre o tema enviadas por leitores e respondidas pela nutricionista Priscilla Primi. Fique ligado! Na semana que vem, a programação será totalmente dedicada aos cereais.
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Como saber na prática quanto de sal consumimos numa refeição?
Não conseguimos dimensionar a quantidade de sal que consumimos em uma refeição porque existem algumas variáveis que podem impactar nessa contagem. Primeiro, o tipo de alimentação. Quanto mais produtos processados e ultraprocessados, maior a quantidade de sal, mesmo que isso seja imperceptível no paladar, por conta da ação conservante do sal e do realçador de sabor. Então isso é um fator que pode impactar bastante. O outro é o hábito alimentar do indivíduo. Então, dependendo do tipo de preparação, haverá mais ou menos quantidade de sal. Por exemplo, a feijoada tem uma quantidade de sal maior por conta das carnes. E o tipo de cozinha. Então o hábito alimentar é de salgar mais ou menos, por isso que é muito difícil dimensionar quanto de sal consumimos em uma refeição.
Existe algum tipo de sal que não contribua para o aumento da pressão arterial?
Existe um tipo de sal chamado biosalgante, que é um sal composto principalmente de potássio e não tem sódio. Normalmente, esse sal também pode ser misturado com ervas para que ele fique mais saboroso e pode ser usado como substituto do sal, do cloreto de sódio que costumamos usar na cozinha. Só que como esse tipo de sal é rico em potássio, pode interagir com algumas medicações. Então seu uso sempre deve ser orientado por um médico ou por um nutricionista.
O sal marinho é melhor para a saúde do que o sal refinado normal?
A diferença entre o sal marinho e o sal refinado é que o sal marinho passa por menos processos de refinamento do que o sal comum. Mas ele não é melhor para a saúde. Acaba sendo a mesma coisa e, em excesso, pode também elevar a pressão arterial. Além disso, ele não tem adição de iodo, que é um mineral essencial para o funcionamento do organismo, principalmente para a tiroide. E, caso haja deficiência no nosso consumo, acaba desencadeando várias doenças.
Se alimentos doces não têm gosto salgado, por que a indústria coloca sódio neles? Além da conservação, esse sódio interfere no sabor, na textura ou até na vontade de continuar comendo?
A indústria usa o sal como realçador de sabor nos alimentos processados e ultraprocessados doces. Ele acaba deixando o doce um pouco mais perceptível para as papilas gustativas, e vai interferir na textura. Então o sal tem essa função de melhorar a textura em algumas preparações, mas não influencia na vontade de continuar comendo. O composto que sabemos, de acordo com os estudos científicos, que aumenta essa compulsão, essa vontade de continuar comendo, é o glutamato monossódico.
Existe uma adaptação do paladar ao sódio semelhante à que acontece com o açúcar? Se reduzirmos gradualmente o consumo, passamos a perceber melhor o excesso?
Como acontece com o açúcar, nossas papilas gustativas também podem se acostumar a preparações mais salgadas e assim acharmos que não está salgado. Sim, fazer o processo de dessensibilização, ou seja, reduzir gradualmente o consumo, a adição no sal das preparações, permite saborear melhor o gosto natural do alimento e depois perceber mais o excesso.

