Os incêndios florestais seguem avançando em diferentes partes do mundo e mobilizam milhares de bombeiros na Grécia e nos Estados Unidos. Enquanto as chamas continuam ameaçando a região de Atenas, após consumirem mais de 12 mil hectares de florestas e áreas agrícolas em uma semana, segundo dados baseados em análises do programa europeu Copernicus, o estado americano de Washington enfrenta o maior desastre natural da história do condado de Spokane, onde centenas de imóveis foram destruídos e cerca de 60 mil pessoas precisaram deixar suas casas. Em ambos os países, autoridades alertam que a combinação de seca, calor intenso e ventos fortes mantém elevado o risco de novos focos e dificulta o combate ao fogo.
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A Grécia, que todos os anos enfrenta incêndios impulsionados pelas frequentes ondas de calor e pela seca, havia escapado até agora dos grandes focos que atingiram França e Espanha no início do verão europeu, mas a situação mudou nos últimos dias.
Fogo ameaça Atenas
Os incêndios que atingem a região de Atenas entraram no quarto dia nesta segunda-feira, apesar da redução das rajadas de vento — que chegaram a ultrapassar os 100 km/h nos últimos dias — e da atuação de 13 aviões-tanque, 12 helicópteros e cerca de 450 bombeiros.
Esta foto mostra um incêndio florestal queimando árvores na região da Beócia, a oeste de Atenas, em 2 de agosto de 2026
ARIS OIKONOMOU / AFP
Embora as autoridades tenham relatado uma melhora parcial pela manhã, o prefeito de Megara, Panagiotis Margetis, afirmou que o fogo voltou a ganhar força durante a tarde.
— Apesar de o vento ter diminuído na região, em Kandyli ainda há rajadas e correntes de ar geradas pelo calor que sobe, e estamos observando uma retomada do fogo — disse à AFP.
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Os principais focos permanecem nas localidades de Kandyli e Agia Skepi, cerca de 50 quilômetros a noroeste de Atenas. Segundo Margetis, as chamas mudam “constantemente de direção” e avançam em direção à zona industrial de Megara, município com mais de 20 mil habitantes e localizado a cerca de 30 quilômetros a oeste da capital.
O gabinete de imprensa dos bombeiros confirmou que o incêndio voltou a se intensificar, embora tenha ressaltado que ainda existem diversos focos ativos.
— Eu diria que esta é, sem dúvida, uma das piores crises relacionadas a incêndios que tivemos de enfrentar nos últimos oito ou dez anos — afirma Théodore Giannaros, pesquisador do Observatório Nacional da Grécia.
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Segundo o especialista, a previsão de temperaturas de até 37°C para quarta-feira pode agravar ainda mais a situação.
— Os combustíveis vegetais vão secar ainda mais rapidamente, tornando-se mais inflamáveis — alerta.
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Apesar da extensão dos incêndios, poucas casas foram destruídas até o momento, segundo fotógrafos da AFP. A maior parte dos danos se concentra em encostas e áreas agrícolas, especialmente plantações de oliveiras.
— É um desastre total. O que aconteceu é inaceitável — ressalta Konstantinos Makrinoris, ex-prefeito da cidade de Vilia. Segundo ele, o fogo percorreu cerca de 45 quilômetros desde o ponto onde começou.
Os incêndios já deixaram cinco mortos na Grécia: três bombeiros morreram na semana passada e um piloto e um copiloto de um helicóptero morreram no domingo após colidirem com outra aeronave durante uma operação de combate às chamas nos arredores de Psatha.
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Caos em Spokane
Do outro lado do Atlântico, o estado americano de Washington também enfrenta uma situação crítica. As autoridades classificaram os incêndios que atingem o condado de Spokane como o maior desastre natural já registrado na região.
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Mais de 2.180 hectares foram consumidos pelas chamas, que destruíram centenas de imóveis e forçaram cerca de 60 mil moradores a deixarem suas casas. Até a tarde de domingo, nenhum dos três principais incêndios havia sido contido.
— É o pior desastre natural que nossa região já enfrentou — afirma a prefeita de Spokane, Lisa Brown.
Christine e Bryan Farris se abraçam após terem perdido todos os seus pertences no incêndio florestal Old Trail, em Spokane, Washington, no domingo, 2 de agosto de 2026
John Stember / The New York Times
Quase mil bombeiros trabalham diretamente nos principais focos, enquanto cerca de quatro mil militares e bombeiros atuam em todo o estado. Mais de uma dezena de outros incêndios permanecem ativos em Washington, tendo consumido aproximadamente 101 mil hectares.
O governador Bob Ferguson decretou estado de emergência e solicitou ajuda federal após conversar com o presidente americano, Donald Trump, e com o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin.
“O presidente está ciente da situação e manifestou preocupação com a população de Washington neste momento difícil”, escreveu Ferguson na rede social X.
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O pedido ao governo federal inclui equipes de busca e resgate, além de apoio para alimentação e moradia das pessoas desalojadas.
As autoridades afirmaram que, até o momento, não há registros de mortos, feridos ou desaparecidos, mas alertaram que o balanço poderá mudar à medida que as equipes consigam acessar as áreas mais atingidas. As causas dos incêndios ainda estão sendo investigadas.
Corrida contra o tempo
Meteorologistas alertam que a melhora nas condições climáticas pode ser temporária. Embora os ventos tenham diminuído, a previsão indica o retorno de rajadas mais fortes e manutenção do tempo seco, cenário que favorece a rápida propagação das chamas.
Bombeiros gregos seguram mangueiras durante operações de combate a um incêndio florestal na área de Porto Germeno, a cerca de 70 quilômetros (45 milhas) a noroeste de Atenas, na região da Beócia, em 2 de agosto de 2026
ANGELOS TZORTZINIS / AFP
No estado de Washington, o Serviço Nacional de Meteorologia emitiu, pela primeira vez, um alerta máximo de incêndios para parte do leste do estado e do nordeste de Oregon, classificando a situação como “particularmente perigosa”.
O drama vivido pelos moradores também se repete nos dois lados do Atlântico.
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Em Spokane, vídeos divulgados nas redes sociais mostram longos congestionamentos durante os deslocamentos de pessoas, céus cobertos por fumaça e bairros devastados.
Entre os moradores afetados está Bobbie Atwood, de 46 anos, que perdeu a propriedade reconstruída após outro incêndio ocorrido em 2015. Ela conseguiu retirar a família e tentou salvar o maior número possível de animais, mas perdeu uma galinha, um gato e dois cães, que se esconderam sob um trailer para fugir das chamas. Um dos cães resgatados sofreu queimaduras nas patas.
— O mais importante é que eu, meus filhos e meus netos conseguimos sair. Gostaria de ter conseguido salvar todos os animais, mas fiz tudo o que pude — diz ao New York Times.
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Benjamin Cossel, porta-voz da Equipe 7 de Gerenciamento Integrado de Incidentes da Califórnia, classificou Spokane como “a prioridade número um do país” para o combate aos incêndios devido à proximidade das chamas com áreas densamente povoadas.
(Com AFP e New York Times)

