O programa Tolerância Zero, que, desde 16 de julho, impede a atuação de ambulantes em situação irregular nas praias do Leme, de Copacabana, de Ipanema e do Leblon será ampliado para ruas internas dos bairros. A nova etapa da fiscalização prevê o reforço de 220 agentes da Secretaria municipal de Ordem Pública (Seop), totalizando 540, a partir de amanhã. Eles vão se concentrar, além da orla, nas avenidas Nossa Senhora de Copacabana e Rainha Elisabeth, em Copacabana; na Rua Prudente de Morais, em Ipanema; e na Avenida General San Martin, no Leblon. Além de combater a venda de produtos por camelôs sem licença, eles farão blitzes para fiscalizar motocicletas.
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Tolerância Zero: fiscalização é ampliada para ruas internas de Copacabana, Ipanema e Leblon com blitzes diárias
— Todo mundo sabe que, cada vez mais, criminosos vêm utilizando motos nas dinâmicas dos crimes. Isso é claramente observado em nossos relatórios, e vamos trazer essa novidade operacional — anunciou o secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior.
Uma equipe do GLOBO percorreu ontem os quatro novos endereços que passarão a integrar o programa. Na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, a concentração de camelôs é maior em três pontos: nas esquinas com as ruas Dias da Rocha, Santa Clara e Figueiredo Magalhães. Já na Ataulfo de Paiva, próximo à Avenida General San Martin, a reportagem encontrou, no início da tarde, vendedores oferecendo óculos, bonés e camisas. Nas outras vias, não havia vendedores.
Concorrência
No número 820 da Nossa Senhora de Copacabana, ao lado de barracas regularizadas, um vendedor montava um novo estande para vender acessórios para celulares. A comerciante responsável por uma barraca de vestidos e cintos com licença acredita que, com o avanço da operação, vai aumentar o número de ambulantes irregulares na calçada onde trabalha:
— Me preocupo porque nós somos cadastrados, mas como a prefeitura vai resolver essa situação? Só tirar as pessoas da orla vai causar um problema ainda maior porque eles não vão deixar de trabalhar. Vão acabar se misturando com os outros ambulantes cadastrados, isso pode causar uma confusão. A prefeitura devia se preocupar com esses trabalhadores e não restringir o comércio deles, porque para algum lugar eles vão — afirmou.
Comércio sem autorização. Ambulante expõe bolsas na calçada da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, entre as ruas Santa Clara e Figueiredo de Magalhães
Márcia Foletto/Agência O GLOBO
Entre lojistas, o apoio ao ordenamento urbano vem acompanhado de ressalvas. Dono da churrascaria Carretão e há 37 anos instalado em uma transversal da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, Pedro Cordeiro também disse concordar com a medida, mas criticou a falta de planejamento para o destino dos ambulantes.
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— Não estou de acordo em pegar os ambulantes e esculachar com eles. Vão viver do quê? Isso é enxugar gelo. Eles precisam ter para onde ir, senão volta tudo. Precisam poder trabalhar, mas não dessa forma. A prefeitura tem que direcionar melhor os camelôs. Sou a favor da medida, mas não dessa maneira — afirmou o dono de restaurante.
Além dele, a proprietária de um salão de beleza na Nossa Senhora de Copacabana, que preferiu não se identificar, contou que paga cerca de R$ 20 mil de aluguel por mês e afirmou ser favorável às ações da prefeitura. Ela, no entanto, acredita que a retirada dos ambulantes da orla pode aumentar a presença deles nas calçadas das ruas internas. A mesma opinião é compartilhada pelo dono de uma loja de roupas fitness perto do número 800.
— Eles não vão parar de trabalhar no comércio irregular, só vão migrar para outras ruas movimentadas, disputar espaço com a gente — relatou o comerciante.
‘Ambiente acolhedor’
Para Aldo Gonçalves, presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Rio de Janeiro (SindilojasRio), a expansão do Tolerância Zero para a Nossa Senhora de Copacabana é uma demanda antiga dos comerciantes:
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— O ordenamento urbano é essencial para um comércio forte. Combater o comércio informal e a ocupação irregular dos espaços públicos significa garantir concorrência leal, mais segurança e um ambiente mais acolhedor para consumidores e empreendedores. Esperamos que esse trabalho tenha continuidade e seja permanente.
O prefeito Eduardo Cavaliere, que anunciou ontem a ampliação do programa, afirma que a fiscalização será uma política permanente. Além dos fiscais da Seop, participam do Tolerância Zero 52 guardas municipais e 140 policiais militares, além do efetivo de rotina do 19º BPM (Copacabana) e do 23º BPM (Leblon).
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