A investigação da Polícia Civil sobre os estabelecimentos que funcionam na Rua Soares Cabral, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, ganhou um novo desdobramento. A Delegacia do Consumidor (Decon) passou a apurar a morte de Sandra Caldas, de 59 anos, após uma cirurgia para reversão de colostomia realizada no Hospital Ênio Serra. O caso se soma às investigações envolvendo uma clínica de estética localizada no mesmo endereço, já alvo de inquéritos por uma morte e por complicações após procedimentos estéticos.
Polícia Civil fecha clínica de estética em Laranjeiras após denúncias de pacientes com deformações e possível óbito; proprietário é preso
Instigação ao suicídio: Ex-padre acusado de mandar enteado ‘encontrar o Papai do Céu’ e se jogar de terraço é condenado a 48 anos de prisão
Além de não descartar a hipótese de erro médico, a polícia também investiga a possível atuação de médicos residentes sem supervisão em procedimentos cirúrgicos no hospital. A unidade ainda havia sido alvo de uma fiscalização recente, quando agentes da Decon e fiscais da Vigilância Sanitária encontraram produtos vencidos.
A denúncia foi registrada na quinta-feira (6), após a filha da vítima, Vanessa Caldas, procurar a Decon para relatar as circunstâncias da morte da mãe, ocorrida em abril deste ano.
Em entrevista ao GLOBO, o delegado Wellington Vieira afirmou que a investigação ainda está em fase inicial e depende da análise do prontuário médico da paciente.
— É muito cedo para falar. O fato foi registrado ontem e precisamos de acesso às informações arquivadas no prontuário médico da paciente — disse.
Segundo o delegado, a representante legal da vítima foi orientada a solicitar o documento ao hospital com base no Estatuto do Paciente (Lei 15.378/2026). A expectativa é que o prontuário permita esclarecer o que ocorreu durante e após a cirurgia.
Enquanto aguarda a documentação, a Decon vai ouvir familiares e os profissionais de saúde que participaram do atendimento.
Apesar de ainda não haver conclusões, Wellington Vieira afirmou que nenhuma hipótese foi descartada.
— A possibilidade de erro médico não está descartada. Tampouco a relação desse caso com os demais investigados — afirmou.
O delegado também destacou que a investigação não se limita à análise do procedimento realizado em Sandra. Segundo ele, uma das linhas de apuração busca esclarecer se médicos residentes participaram de cirurgias sem a devida supervisão.
— Ainda temos a possibilidade de atuação de médicos residentes sem supervisão em procedimentos cirúrgicos, o que também está sendo investigado — disse.
Outra irregularidade já constatada pela Decon durante a investigação foi a presença de produtos vencidos no Hospital Ênio Serra.
— Durante fiscalização recente no nosocômio, minha equipe e fiscais da Vigilância Sanitária localizaram produtos vencidos — informou o delegado.
O caso
Ao g1 Vanessa Caldas afirmou que a mãe foi internada em fevereiro para tratar a síndrome de Fournier, doença que afeta a região inferior do corpo, e apresentava boa evolução clínica. Após a recuperação, os médicos indicaram a cirurgia para reversão da colostomia, procedimento que antecederia a alta hospitalar.
A expectativa da família era de que Sandra deixasse o hospital em cerca de dez dias. No entanto, segundo a filha, o quadro mudou em 11 de abril, quando ela passou mal e precisou ser submetida a uma nova cirurgia de emergência.
De acordo com o relato da família, houve vazamento de líquido fecal para outros órgãos durante o procedimento, complicação que teria provocado a morte da paciente.
Procurado pelo GLOBO, o grupo não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.
Initial plugin text

