Três dias após o caso mais recente de negativa para o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) concorrer ao governo de Minas Gerais, o Republicanos decidiu nesta sexta-feira lançar o parlamentar para disputar o Palácio de Tiradentes. Agora, o parlamentar tem o aval da direção nacional e estadual da legenda para concorrer.
O anúncio da candidatura foi feito por Cleitinho e pelo presidente do Republicanos, Euclides Pettersen, em entrevista coletiva feita em Divinópolis, reduto eleitoral do senador. O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, confirmou ao GLOBO a decisão.
Antes, Cleitinho e Euclides haviam se reunido em São Paulo com Marcos Pereira, que reviu a decisão de não lançá-lo e deu aval para a candidatura.
O ex-prefeito de Patos de Minas (MG) Luis Fernando Falcão (Republicanos) será o candidato a vice-governador.
Antes da decisão de hoje, Cleitinho participou da convenção nacional do partido na última terça-feira e fez um apelo para poder concorrer ao cargo. Na ocasião, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, no entanto, negou dar legenda para ele disputar a eleição. A posição agora foi revista por Pereira.
Na véspera da convenção, Cleitinho e Pereira haviam gravado um vídeo juntos em que o senador havia aceitado desistir de disputar o cargo, mas ele reviu a decisão e passou a pressionar o partido para dar aval para entrar no pleito.
Nesta sexta, Cleitinho se reuniu com Marcos Pereira em Jundiaí (SP). Antes do encontro, o presidente do partido já indicava que poderia dar aval para ele concorrer.
– Parece que agora finalmente ele decidiu. Pelo menos é o que ele está demonstrando. Acho que agora ele está decidido mesmo a ser candidato, a gente ainda está avaliando isso com as instâncias partidárias, sobretudo lá no estado de Minas, e teremos uma reunião nesta sexta-feira e vamos ver como vai ser o desfecho dela – disse Pereira ao site NC News mais cedo nesta sexta.
Na quarta-feira da semana passada, o Republicanos havia anunciado que decidiu não lançar Cleitinho Azevedo como candidato a governador de Minas Gerais.
A decisão foi reforçada publicamente mais duas vezes. Uma no vídeo em que Pereira e Cleitinho gravaram juntos e outra na declaração do presidente do partido na convenção nacional do Republicanos.
Após meses de indefinições e sinais trocados, o senador passou a sinalizar desde a terça-feira da semana passada que desejava entrar na disputa. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, publicado após dez dias de silêncio do parlamentar desde a morte do irmão mais novo, Matheus Azevedo, o senador afirmou que “aceita a missão”.
A publicação, feita na terça-feira da semana passada, foi vista por aliados do senador em Minas como um sinal de que ele havia se decidido e como uma prévia da oficialização da candidatura.
Apesar disso, o partido resistia a lançá-lo e chegou a decidir que apoiaria Marcelo Aro (PP), ex-secretário da Casa Civil de Minas, como candidato a governador.
Enquanto Cleitinho publicava o vídeo, Aro participava de uma reunião em Brasília com o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do presidenciável. O presidente do PL em Minas Gerais, Zé Vitor, também esteve presente e o presidente nacional do Republicanos participou de uma parte da conversa por telefone.
Em novas reviravoltas, Marcelo Aro não teve o apoio de nenhum desses partidos. O PL de Flávio lançou o empresário Flávio Roscoe como candidato a governador e o próprio partido de Aro, que forma uma federação com o União Brasil, decidiu apoiar a reeleição do governador Mateus Simões (PSD), afilhado político do candidato do Novo a presidente, Romeu Zema.
O político do PP vai disputar o Senado em uma candidatura avulsa, sem estar uma chapa vinculada a nenhum governador.
Cleitinho, que lidera as pesquisas de intenção de voto para governador, passou a dar sinais trocados desde o fim do ano passado se vai concorrer ou não ao cargo de governador.
O cenário se agravou depois da morte do irmão Matheus Azevedo, no último dia 18 de julho.
Inicialmente, o partido tinha a expectativa de que ele anunciasse uma decisão até a data da convenção estadual de Minas Gerais, que aconteceu no dia 26 de julho, mas não houve definição e o senador não esteve presente no evento.
Diante da hesitação de Cleitinho, a cúpula do Republicanos passou a resistir dar aval para a candidatura dele a governador.
A avaliação era que, apesar de liderar isolado as pesquisas, Cleitinho é um político considerado instável e tem o perfil de fazer ataques à classe política. Havia um temor que Cleitinho fizesse críticas na campanha aos próprios integrantes do Republicanos.
Apesar disso, a ameaça de uma crise com Cleitinho prejudicar a meta do partido de eleger deputados no estado fez com que a legenda buscasse um acordo com o senador.

