Um estudo conduzido pelo Instituto Democracia em Xeque, divulgado nesta sexta-feira, mostra que a retomada de narrativas bolsonaristas sobre a pandemia de Covid-19 repercutiu entre evangélicos nas redes sociais entre o final de julho e o início de agosto. O tema voltou à tona na esteira da audiência do médico Anthony Fauci no Senado dos Estados Unidos.
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Imunologista e conselheiro médico da Casa Branca no governo Joe Biden, Fauci evocou a quinta emenda da constituição americana para não responder a mais de cem perguntas feitas na audiência por senadores americanos, em 29 de julho.
Antes da audiência ocorrer, o senador republicano Rand Paul divulgou nas redes um diário mantido por Fauci durante a pandemia. Tirada de contexto, uma frase escrita pelo médico foi usada por Paul para sugerir que ele acobertava suspeitas de que o vírus havia vazado de um laboratório. Em meio às acusações e perguntas sobre o financiamento de pesquisas com coronavírus na China, Fauci optou por ficar em silêncio como forma de evitar se autoincriminar.
Anthony Fauci: o que se sabe sobre a audiência do médico americano sobre a pandemia e as fake news
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou um vídeo no qual usa a audiência de Fauci para sustentar que o ex-presidente Jair Bolsonaro teria razão em suas posições contrárias ao distanciamento social, máscaras, vacinas e a favor do uso de hidroxicloroquina e ivermectina para tratar Covid-19, medidas que contradizem as evidências científicas. Segundo o Democracia em Xeque, o vídeo de Nikolas teve 1,1 milhão de interações.
— Uma verdade está sendo revelada, eu quero te pedir uma coisa: compartilha esse vídeo, porque o Brasil inteiro precisa saber os rostos daqueles que fizeram terror contra trabalhadores, pessoas comuns — diz Nikolas Ferreira.
A mesma abordagem aparece em um vídeo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que alcançou 200 mil interações. O vídeo, publicado no Instagram, conta com a legenda: “Os que criticaram ou de má-fé atrapalharam vão pedir desculpas?”. O ex-parlamentar refere-se a documentos publicados pelo governo do presidente americano Donald Trump sobre a pandemia e diz que o “mundo inteiro deve um pedido de desculpas” ao pai.
— Essa lição que está chegando, o Lula não tem a principal arma de narrativa dele, que é acusar falsamente o Jair Bolsonaro de ser um genocida. Genocida é você, Lula, que até hoje exige vacinas — diz o ex-deputado.
A pesquisa do Instituto Democracia em Xeque foi realizado em 573 perfis no Instagram, Youtube, X, TikTok e Facebook, com mais de 101 milhões de interações no período analisado.
O levantamento também conta com dois rankings das 20 lideranças com identidade evangélica que alcançaram maior engajamento no período.
Quando analisados os números daqueles que tiveram maiores interações em uma única postagem, o ranking é liderado pelo ex-deputado estadual do Rio Gabriel Monteiro (PL), Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro. Já quando o recorte é feito pelo número total de interações, a lista é liderada por Flávio Bolsonaro, com Monteiro e Nikolas aparecendo em seguida.

