Ser presente no dia a dia é a principal característica de um bom pai para 49% dos brasileiros, enquanto apenas 3% apontam “oferecer segurança financeira” como o atributo mais importante. Os números são de uma pesquisa divulgada nesta semana do Dia dos Pais feita pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, instituto ligado à holding de comunicação FSB, que mostra uma mudança na percepção sobre o papel paterno, com a presença cotidiana superando a ideia tradicional do pai como provedor.
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O levantamento aponta ainda que 19% dos entrevistados consideram “educar/orientar com limites” a principal característica de um bom pai. Demonstrar carinho e afeto aparece em seguida, com 8%, enquanto dar exemplo foi citado por 7%. Outros 10% mencionaram características diferentes das apresentadas e 4% não souberam ou não responderam.
A valorização da presença diária é ligeiramente maior entre as mulheres: 53% delas apontam esse atributo como o mais importante, contra 45% dos homens. Entre o público masculino, por outro lado, 21% consideram que educar e orientar com limites é a principal característica, enquanto 17% das mulheres têm a mesma percepção.
O que é ser um bom pai para os brasileiros:
Ser presente no dia a dia: 49%
Educar/orientar com limites: 19%
Demonstrar carinho e afeto: 8%
Dar exemplo: 7%
Outra característica: 10%
Não sabe/não respondeu: 4%
Oferecer segurança financeira: 3%
Importância da paternidade
De acordo com a pesquisa, 76% dos brasileiros consideram alta ou muito alta a importância da paternidade no cuidado cotidiano e na criação dos filhos.
Outros 13% consideram a importância média, enquanto 5% avaliam como baixa e 3% como muito baixa. Apenas 2% disseram que a paternidade não tem importância nesse aspecto e 2% não souberam ou não responderam.
A percepção sobre a importância do papel paterno varia conforme o perfil dos entrevistados. Entre os homens, 81% consideram a importância alta ou muito alta, contra 73% das mulheres. Entre os jovens de 16 a 24 anos, o índice chega a 82%.
dia dos pais
Freepik/Reprodução
A renda também influencia a percepção. Entre quem recebe de dois a cinco salários mínimos, 81% consideram a importância da paternidade alta ou muito alta. O percentual cai para 64% entre aqueles com renda de até um salário mínimo.
Há ainda diferença por escolaridade. O índice chega a 81% entre pessoas com ensino médio e a 80% entre quem tem ensino superior completo. Entre os entrevistados com apenas o ensino fundamental, são 68%.
Metade vê pais menos participativos
Apesar de a maioria considerar a paternidade muito importante na criação dos filhos, metade dos brasileiros acredita que os pais de hoje participam menos dos cuidados do que os das gerações anteriores.
Segundo a pesquisa, 50% afirmam que os pais atuais participam menos dos cuidados com os filhos. Outros 37% avaliam que participam mais e apenas 8% dizem que a participação é a mesma. Os 4% restantes não souberam ou não responderam.
A percepção também muda de acordo com o gênero. Entre as mulheres, 56% consideram que os pais de hoje participam menos dos cuidados. Já entre os homens, há empate: 44% dizem que a participação aumentou e outros 44% avaliam que diminuiu.
— O brasileiro já consolidou a ideia de que o bom pai é aquele presente no dia a dia, deixando para trás a figura do mero provedor financeiro. O desafio agora está na prática — avalia Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, na divulgação da pesquisa.
Segundo ele, a diferença entre a percepção sobre o que caracteriza um bom pai e a avaliação sobre a participação efetiva dos homens na criação dos filhos mostra que a mudança de comportamento ainda não acompanhou completamente a transformação do discurso.
— O fato de metade da população enxergar os pais de hoje como menos participativos do que os do passado mostra que o discurso avançou mais rápido do que a mudança real de comportamento dentro de casa — afirma.
A percepção de menor participação chega a 56% no Nordeste e também a 56% entre pessoas com renda de até um salário mínimo. Entre a população negra, 51% avalia que os pais atuais participam menos dos cuidados, enquanto o índice é de 47% entre os brancos.
A pesquisa foi realizada entre 18 e 24 de julho de 2026, com 2.013 entrevistas presenciais, por meio de abordagem face a face em domicílios e coleta georreferenciada. A amostra representa a população brasileira com mais de 16 anos e foi estratificada por sexo, idade, renda, escolaridade, religião e região do país.

