O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que concorre à reeleição, e Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Fazenda do governo Lula, se enfrentam no primeiro debate das eleições de 2026 ao Executivo paulista neste domingo (9), a partir das 20h, na TV Band. Eles foram os únicos candidatos presentes, por conta da regra que garante participação apenas a partidos e coligações com mais de cinco representantes no Congresso. Ambos já estão presentes nos estúdios da emissora.
Dois dos três blocos terão embates diretos com 20 minutos para que cada candidato administre como quiser seu tempo. Dessa forma, Tarcísio e Haddad terão liberdade para escolher os temas que vão abordar com mais ênfase. Parte do primeiro bloco e o segundo bloco terão perguntas de jornalistas.
Rivais há quatro anos, eles retornam às urnas em contextos diferentes. Menos dependente do capital político do ex-presidente Jair Bolsonaro, de quem foi ministro, Tarcísio surge como favorito nas pesquisas e pode direcionar o confronto para os resultados da gestão e menos para temas nacionais. Haddad, por sua vez, assumiu como plataforma de campanha o discurso de que o adversário não tem marcas e que o desempenho está abaixo do esperado em diversas áreas.
Pela importância dos votos no estado para a eleição presidencial, contudo, espera-se que o governo de Lula (PT) e o histórico do senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário do petista, também sejam temas abordados no programa. Tarcísio apoia o filho de Bolsonaro depois de ele próprio ser preterido pelo padrinho para concorrer ao Planalto. Haddad tenta garantir uma disputa equilibrada entre Lula e Flávio no estado, de forma a ajudar o petista a superá-lo nacionalmente.
A ausência de candidatos ao governo de São Paulo com visibilidade e estruturas de campanha equivalentes aponta para a possibilidade de resolução do pleito ainda em primeiro turno, ao contrário das eleições de 2022, quando Tarcísio precisou de uma segunda rodada para bater Haddad por 55,3% a 44,7% dos votos válidos. Naquela ocasião, o então governador paulista, Rodrigo Garcia, do PSDB, ficou pelo caminho e declarou apoio ao republicano.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada em 29 de julho coloca Tarcísio com 48% das intenções de voto, contra 32% de Haddad. Na sequência, em um distante segundo pelotão, aparecem Vera Lúcia (PSTU), com 3%, e Carlos Machado (PCB) e Vivian Mendes (UP), com 1% cada. Brancos e nulos somaram 15%, e os indecisos, 13%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A campanha eleitoral tem início, oficialmente, no próximo dia 16, com a propaganda em rádio e TV, e serão 35 dias até a primeira votação, marcada para 4 de outubro.
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Haddad chegou no estúdio por volta das 18h50 acompanhado da esposa, Ana Estela Haddad. secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde. O candidato disse esperar que o debate sirva para discutir o estado, mas não descartou trazer à baila temas nacionais, e minimizou o efeito de uma possível falta de segundo turno em São Paulo para a campanha do presidente Lula.
— Eu não vejo as coisas tão conjugadas assim. O presidente Lula, em todas as eleições que ganhou, com exceção da de 2002 e 2022, ganhou sem ter um candidato a participar (do segundo turno em São Paulo). Não há um automatismo em relação a isso. E eu penso que os temas nas duas campanhas são um pouco diferentes — declarou o petista.
Ele disse considerar “natural discutir temas nacionais também numa eleição estadual”, mas que espera debater temas locais como segurança pública, finanças do estado e privatizações.
Haddad fala com jornalistas antes de entrar nos estúdios da Band, em 9/8/2026
Maria Isabel Oliveira / O Globo
Tarcísio apareceu logo depois, acompanhado da primeira-dama Cristiane Freitas.
— Mostrar o que foi feito, o que podemos fazer e que estamos preparados. A gente quer fazer a diferença, mostrar o nosso grau de compromisso com o estado de São Paulo. Essa vai ser a pegada — antecipou o candidato do Republicanos.
Tarcísio participa de debate na TV Band, em 9/8/2026
Maria Isabel Oliveira / O Globo

