Agosto será marcado por dois fenômenos astronômicos visíveis a olho nu em diferentes partes do mundo: um eclipse solar total no hemisfério norte e um eclipse lunar quase total que poderá ser observado em países das Américas, da Europa e da África, incluindo o Brasil.
Lua avermelhada na madrugada do dia 28
O eclipse lunar terá início às 23h30 (horário de Brasília) do dia 27, com o auge previsto para 1h da madrugada do dia 28. O fenômeno poderá ser visto de todos os estados brasileiros, e as projeções indicam que até 95% da Lua ficará avermelhada.
Eclipse lunar total visto em Palm Springs, em 13 de março de 2025
Patrick T. Fallon / AFP
A astrônoma do Observatório Nacional Josina Nascimento, ouvida pela Agência Brasil, explica que a órbita da Lua ao redor da Terra tem uma inclinação de 5 graus, e que o eclipse ocorre quando Sol, Terra e Lua se alinham diretamente.
Segundo ela, na Lua cheia o Sol projeta uma sombra da Terra no espaço, e é quando a Lua entra nessa sombra que o eclipse lunar acontece.
Eclipse solar no dia 12
Já o eclipse solar, previsto para o dia 12, será visível em sua totalidade em países como Espanha, Portugal, Rússia, Islândia e Groenlândia, além de ser observado parcialmente em outras regiões do hemisfério norte e no norte da África.
Durante um eclipse solar total, a Lua cobre completamente o Sol, deixando apenas a coroa
AFP
Conforme descreve a especialista à reportagem, nesse caso, a sombra da Lua percorre um trajeto sobre a Terra de cerca de 300 quilômetros de largura, sendo visível apenas para quem está nessa faixa.
Como observar os fenômenos?
O eclipse lunar pode ser acompanhado sem qualquer equipamento especial. Basta um local aberto, com boa visão do céu e pouca poluição luminosa.
Já o eclipse solar exige o uso de óculos certificados conforme a norma ISO 12312-2, ou máscaras com vidro de soldador número 14, já que observar diretamente sem proteção pode causar danos graves à visão, incluindo cegueira.
Por que o eclipse solar total é raro?
O eclipse solar total resulta de uma coincidência cósmica: o Sol é cerca de 400 vezes maior que a Lua, mas também está cerca de 400 vezes mais distante, fazendo com que os dois astros pareçam ter tamanho semelhante no céu.
O fenômeno sempre ocorre durante a Lua Nova, quando o satélite bloqueia parte da luz solar e projeta uma sombra sobre a Terra.
Segundo a pesquisadora, ao contrário do eclipse lunar, visível para toda a metade do planeta onde é noite, o eclipse solar atinge uma área bem mais restrita. Fora dessa faixa, mesmo quando o eclipse é total em algum ponto, ele pode se manifestar como um eclipse anular em outras regiões, quando a Lua não cobre totalmente o Sol e deixa visível um anel de luz ao redor.
As diferentes formas do eclipse lunar
O eclipse lunar, por sua vez, só ocorre durante a Lua Cheia e pode ser total, parcial ou penumbral. Isso porque a luz do Sol ao atingir a Terra gera dois tipos de sombra: a umbra, mais escura, e a penumbra, mais suave.
Segundo a astrônoma, quando a Lua passa apenas pela penumbra, praticamente não há alteração visível. Já no eclipse total, o satélite atravessa a penumbra, entra completamente na umbra e depois retorna à penumbra.
Sobre o eclipse do dia 27, a especialista afirma que será parcial, já que a Lua não chegará a entrar totalmente na umbra. Mas, por ficar muito próxima disso, o efeito visual será semelhante ao de um eclipse total, com a Lua adquirindo tom avermelhado. Essa coloração é resultado do reflexo da luz solar ao atravessar a atmosfera terrestre.

