Depois de temporadas em que a pele quase nua, as sobrancelhas penteadas e o brilho discreto dominaram a beleza, o rosto volta a pedir atenção. Cristais, pérolas, pedrarias e aplicações tridimensionais aparecem ao redor dos olhos, nas têmporas e até nas maçãs do rosto, transformando a maquiagem em parte essencial da produção. O movimento acompanha uma retomada do maximalismo que já aparece na moda, nos palcos e nas redes sociais, e agora encontra na beleza um dos seus espaços mais expressivos.
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No Roskilde Festival, Zara Larsson levou essa ideia ao extremo ao trocar a sombra convencional por uma borboleta magenta formada por cristais ao redor de um dos olhos. O desenho se estendia da bochecha à testa e fazia do rosto o ponto central do look.
Mais do que um recurso de beleza, a composição funcionava como uma espécie de joia aplicada sobre a pele.
Zara Larsson
Reprodução Instagram
Rihanna também incorporou a estética durante o Crop Over, em Barbados. Pedras coloridas apareciam abaixo dos olhos e repetiam as tonalidades presentes no figurino e nos acessórios, criando uma continuidade entre as diferentes partes da produção.
Nesse caso, o brilho não funcionava apenas como acabamento: ajudava a construir a identidade visual do conjunto.
Rihanna
Twitter/@krisshotit
Para o maquiador brasileiro Carlos Moura, a volta dos adornos está ligada a um desejo de experimentar depois de um período dominado pela discrição. “Depois de uma fase muito marcada pela maquiagem invisível, existe uma vontade de voltar a criar personagens e imagens memoráveis. O cristal funciona quase como uma joia: capta luz, cria dimensão e faz o rosto participar da narrativa do look”, afirma.
A tendência aparece tanto em grandes produções quanto em propostas mais fáceis de adaptar. Madonna levou pedrarias para a região dos olhos em uma produção de palco, enquanto editoriais com o grupo KATSEYE recorreram a gemas, adesivos e desenhos gráficos para destacar a personalidade de cada integrante. Na alta-costura, cílios dourados, pérolas e elementos metálicos reforçaram a mesma ideia: o ornamento não precisa mais ficar restrito à roupa.
Para Carlos, justamente por chamar atenção, esse tipo de beleza exige uma escolha cuidadosa. A quantidade de elementos importa menos do que a maneira como eles conversam com o restante da produção. “O sofisticado não está em usar poucas ou muitas pedras, mas em saber por que elas estão ali. Quando existe direção, o cristal não parece decoração: ele se torna linguagem”, conclui.
No fim, a proposta não é simplesmente substituir a maquiagem discreta por uma versão mais chamativa. A mudança está na liberdade de fazer do rosto também um espaço de criação. Depois de um período em que o ideal era quase não parecer maquiada, a beleza volta a aceitar brilho, textura e fantasia e, desta vez, sem medo de ser notada.

