Aos 24 anos, Fábio Lima deixou o Ceará e percorreu milhares de quilômetros para realizar o sonho de cursar uma universidade em Niterói. Longe da família e sem dinheiro para se manter na cidade, acabou precisando recorrer a um abrigo depois que a instituição entrou em greve. Foram três meses nessa situação, até que ele passou a receber o Aluguel Universitário, com um auxílio de R$ 700 mensais.
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Fábio é um dos cinco estudantes que estavam em situação de rua e foram identificados pela Coordenadoria da Juventude de Niterói entre os beneficiários do programa. Hoje, com um lugar para morar, ele diz que consegue se concentrar novamente na graduação e planejar a conclusão do curso.
— Para quem vem de fora e é pobre, principalmente, esse auxílio faz muita diferença. É uma ajuda para conseguirmos nos manter na cidade, permanecer na universidade e chegar até o fim do curso. É muito importante, principalmente para quem precisa ficar longe da família para estudar — afirmou Fábio, cuja família é de baixa renda e trabalha na área rural do estado do nordeste.
A história dele se soma à de outros estudantes que chegaram a Niterói vindos de diferentes cidades, estados e países em busca de uma formação universitária. Em agosto, 485 novos alunos entraram no terceiro edital do Aluguel Universitário, elevando para 1.670 o número de beneficiários. Outros 366 aprovados podem começar a receber o auxílio em setembro, o que levaria o total a 2.036 estudantes.
O programa oferece R$ 700 por mês para ajudar nas despesas de moradia. Entre os contemplados, cerca de 90% são de fora de Niterói e mais de 50 são estrangeiros.
Um deles é o moçambicano Akin Suca, de 20 anos, que mora no Centro e cursa cinema e artesanato. Para ele, o benefício ajuda a pagar as despesas do dia a dia e a comprar materiais utilizados nos estudos.
— Esse incentivo me ajuda a pagar outras despesas e também a comprar o material de que preciso para estudar. Acho essa iniciativa muito boa porque tem muita gente que vem de fora e realmente precisa desse apoio. Eu cheguei aqui e não sabia praticamente nada, estava completamente perdido. Para quem vem de fora, esse apoio faz muita diferença — contou.
O pagamento de agosto soma R$ 1,19 milhão. O auxílio é destinado a estudantes de diferentes universidades, faculdades e cursos e busca contribuir para a permanência dos alunos na graduação, permitindo que morem mais perto das instituições de ensino.
Segundo o coordenador da Juventude de Niterói, João Pedro Boechat, os cinco estudantes que estavam em situação de rua passaram a ter uma casa e condições de continuar os estudos.
— Cada estudante traz uma história e um sonho que não é só dele, mas de toda a família. São jovens que querem se tornar médicos, professores, advogados, jornalistas, cientistas e que precisam concluir seus cursos com tranquilidade, sem passar uma, duas ou três horas no trânsito e com a segurança de ter onde morar. Ao mesmo tempo, o programa contribui para o processo de revitalização do Centro — afirmou.
Para o reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Antonio Claudio da Nóbrega, a presença de estudantes de diferentes origens reforça uma característica da cidade e da própria universidade.
— Não temos apenas que tolerar a diversidade, temos que celebrá-la. É essa diversidade que caracteriza o Brasil, Niterói e também a universidade e que, certamente, nos ajuda a construir um país cada vez melhor. Parabéns à Prefeitura de Niterói por uma iniciativa que aponta esse caminho — afirmou.
A política também faz parte das ações de ocupação e revitalização do Centro de Niterói. Durante o evento de pagamento do terceiro edital, realizado nesta segunda-feira no Teatro Popular Oscar Niemeyer, o prefeito Rodrigo Neves destacou que cerca de 90% dos beneficiários são de fora da cidade e defendeu o programa como uma política de apoio à permanência estudantil.
— Vocês estão em uma cidade que acredita na juventude como futuro e cuja gestão municipal apoia e realiza parcerias com a universidade. Cerca de 90% dos estudantes que estão aqui são de fora de Niterói, de outras cidades do estado e até de outros países. Isso mostra a importância de uma política como o Aluguel Universitário. Niterói é uma cidade que acolhe e que acredita na educação, na cultura e nas oportunidades para os jovens como instrumentos de transformação — afirmou.
A secretária municipal de Habitação, Marcelle Sardinha, disse que o programa foi construído a partir do diálogo com estudantes e destacou a importância de políticas de permanência para jovens que enfrentam dificuldades financeiras durante a graduação.
— O Aluguel Universitário nasce justamente desse processo coletivo, com o objetivo de garantir mais condições para que esses jovens permaneçam na universidade e consigam concluir seus estudos — destacou.
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