União Brasil, PP e Republicanos decidiram se manter neutros na campanha ao Palácio do Planalto deste ano, mas acordos regionais mostram um alinhamento maior nos estados a Flávio Bolsonaro, candidato do PL, do que ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Levantamento do GLOBO aponta que 16 diretórios regionais desses partidos firmaram acordos locais com a sigla de direita, enquanto nove estão fechados com os petistas.
União e PP, que formam uma federação, por exemplo, fecharam alianças com o PL de Flávio em nove estados. A lista inclui, por exemplo, o Distrito Federal, onde a governadora Celina Leão (PP) terá Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) como candidatas ao Senado na mesma chapa.
O Republicanos, por sua vez, estará com o PL em sete estados. Ao confirmar a candidatura à reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na semana passada, o presidente da legenda, Marcos Pereira, declarou que, no estado, apoiará Flávio.
Alianças estaduais:
Federação PP-União
Apoio a Flávio Bolsonaro: em 9 estados estão na mesma coligação que o PL (CE, BA, TO, AC, SP, RS, MS, PI e DF);
Apoio a Lula: em 4 estados estão na mesma coligação que o PT (SE, PB, AP e PA );
Neutralidade: em 12 estados não estão juntos com nenhum dos dois (PE, RN, MA, GO, RR, RJ, MG, ES,PR, SC, AM e RO).
Republicanos
Apoio a Flávio Bolsonaro: em 7 estados estão na mesma coligação que o PL (BA, SP, ES, RS, SC, MS e DF);
Apoio a Lula: em 5 estados estão na mesma coligação que o PT (PE, CE , PB, AP e PI);
Neutralidade: em 12 estados não estão juntos com nenhum dos dois (SE, RN, MA, TO, AC, GO, MT, RR, RJ, MG,PR e RO).
PP e Republicanos apoiaram a candidatura à reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022. Por sua vez, o União Brasil lançou Soraya Thronicke para a disputa, que hoje está no PSB. Dessa vez, as legendas não se posicionaram na disputa deste ano.
O mais comum neste ano, no entanto, é que os diretórios estaduais desses partidos do Centrão estejam ao mesmo tempo em coligações que não reúnam nem PT e nem PL.
São 12 exemplos de diretórios União-PP que não estão juntos com nenhum dos partidos dos dois principais presidenciáveis. Também são 12 os diretórios do Republicanos que serão adversários ao mesmo tempo das legendas de Lula e de Flávio nos estados.
A decisão dos partidos de declarar neutralidade nacionalmente foi comemorada por aliados de Lula, já que significou que Flávio Bolsonaro, seu principal adversário, terá uma estrutura de tempo de propaganda e fundo eleitoral menor que a chapa do PT.
Os acordos nacionais permitiram que Lula tivesse o apoio de uma ala desses partidos, algo que seria dificultado caso as legendas tivessem fechado um apoio à coligação de Flávio para a Presidência.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que esperou a posição de neutralidade do partido antes de declarar apoio a Lula.
— Eu estava aguardando a posição do partido para que pudesse trazer de público a nossa posição. E a nossa posição está sendo aqui revelada em primeira mão de apoio ao presidente Lula em seu projeto de reeleição — disse durante evento na Paraíba.
O partido de Motta, apesar disso, tem mais alianças com o PL do que com o PT. Além da Paraíba estado do presidente da Câmara, estarão juntos em Pernambuco, Piauí e Ceará.
Além do tempo de propaganda e fundo eleitoral, um apoio nacional desses três partidos era almejado por Flávio porque ele desejava que as siglas indicassem sua candidatura a vice, o que não aconteceu. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a ex-presidente da Caixa Daniella Marques, do Republicanos, estavam entre as cotadas por ele ao posto.
Após União-PP e Republicanos decidirem pela neutralidade na semana passada e frustrarem a tentativa de acordo costurada por Flávio, o candidato do PL tentou minimizar a situação e disse que vai ter o apoio de grande parte dos líderes desses partidos.
— Os principais quadros de todos os partidos vieram para nós. Não apenas quem estava sendo cogitado para vice. Quem não veio foram os caciques, os partidos — disse Flávio na semana passada.

