A Executiva Nacional da Federação Rede-PSOL interveio e vetou a decisão do comando mineiro de apoiar o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) na corrida ao governo de Minas Gerais. A deliberação — impulsionada pela maioria da Rede, agora revista — havia contrariado posição individual do diretório estadual do PSOL, que fechou aliança com o PT no estado. Com a reviravolta, a federação formalizou o apoio a Patrus Ananias (PT), palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo maior colégio eleitoral do país.
O PSOL formalizou na semana passada a indicação da ex-deputada federal Áurea Carolina (PSOL) para o Senado na chapa majoritária encabeçada por Patrus. Por quatro votos a três, no entanto, a direção mineira da federação decidiu na segunda-feira fechar o apoio a Kalil, em função da preferência manifestada pela Rede, que tem maioria no bloco partidário.
A posição da Executiva Nacional, no entanto, desfez a ponte com Kalil e redirecionou o bloco ao nome do PT.
Ao GLOBO, a presidente do diretório estadual do partido, a vereadora de Belo Horizonte Izabella Lourença (PSOL-MG), já havia relatado que acionaria o comando nacional da federação para reverter o apoio a Kalil. O ex-prefeito de Belo Horizonte, por sua vez, afirmou em nota que “quer a Rede” em sua campanha, mas disse que “o PSOL não é bem-vindo”.
O ex-prefeito chegou a ser cotado pelo PT como opção de palanque para Lula no estado, mas resistiu à possibilidade após os desgastes gerados na relação entre os dois durante a campanha de 2022. Na época, Kalil aceitou uma aliança com o petista, mas perdeu para Romeu Zema (Novo) e atribuiu a derrota a uma falta de empenho do presidente na sua campanha. Na eleição deste ano, ele optou por uma aliança com o PSDB, comandado por Aécio Neves, adversário histórico de Lula e da esquerda no estado. Os tucanos indicaram para a vice na chapa majoritária o ex-deputado federal Carlos Mosconi (PSDB-MG).
Já Patrus Ananias aceitou concorrer ao governo do estado após uma sequência de negativas recebidas pelo PT no estado. Entre os que disseram “não” ao partido, estiveram o senador Rodrigo Pacheco (PSB), que decidiu ficar fora das urnas e encerrar sua carreira política neste ano, e a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT-MG), que optou por manter a candidatura ao Senado.

