“Tropa de elite 2: o inimigo agora é outro” apareceu na lista da revista Indiewire, uma das mais respeitadas do audiovisual, dos 100 melhores continuações da história do cinema. O filme de José Padilha, estrelado por Wagner Moura como Capitão Nascimento, ficou com a 66ª posição.
No texto de apresentação da escolha, a publicação chama o filme original de “blockbuster” e “talvez o título mais popular da história do cinema brasileiro”, mas também de “visão limitada”.
Crítica: ‘A última casa’, novo suspense com Wagner Moura, desperdiça uma ótima premissa
“Por causa da direção carregada de ação de Padilha e do antiherói perigoso, porém carismático, vivido por Moura, aquilo que pretendia ser uma crítica à violência policial acabou virando uma celebração, em parte devido à própria visão limitada do filme”, diz o texto, assinado por Guilherme Jacobs. “Assim, quando a dupla retornou quatro anos depois com ‘Tropa de elite 2’, a ideia era metalinguística: rastrear a ascensão de Nascimento no zeitgeist dentro da própria ficção que o criou.”
Continua:
“Já disse uma vez que ‘Tropa de elite’ era o que o Brasil tinha de mais próximo de ‘Star Wars’. Se for esse o caso, este é o ‘Os últimos Jedi’ da franquia, uma continuação reflexiva que questiona o filme anterior e aqueles que o amaram cegamente. Uma que ousa criar uma consciência para seu protagonista, muitas vezes monstruoso, através de um gesto contundente, porém eficaz: mostrar a ele que os criminosos de verdade costumam ser os que usam terno no Congresso, e trazer os tiroteios que ele antes comandava na favela para a porta literal de sua própria família. O filme ainda conserva parte do cinema propulsivo do primeiro,mas é em sua recusa em se contentar com respostas simples que essa sequência acaba superando o original.”
Confira a lista com as dez melhores continuações da história do cinema, segundo a Indiewire.
1º: “Magic Mike XXL”, de Gregory Jacobs (2015)
“Magic Mike”, de Steven Soderbergh, é um filminho gostoso sobre abdomens definidos e uma economia em frangalhos, um retrato bem-acabado da era da recessão, sobre pessoas que tentam se manter em forma enquanto o país ao redor delas desmorona”, diz o texto. “‘Magic Mike XXL’, por outro lado, tinha algo bem diferente em mente. A eufórica sequência de Gregory Jacobs pegou toda a seriedade subjacente do filme original e reduziu tudo a pó. Algo mais leve que pipoca, mas indefinivelmente profundo em seu espírito de corpo.”
2º: “O poderoso chefão 2”, de Francis Ford Coppola (1974)
Parte 2 da trilogia “O poderoso chefão”
“Em vez de dar ao público mais do mesmo, Coppola mergulhou de cabeça numa estrutura narrativa bifurcada, que ilustra como o futuro da família Corleone está indissociavelmente ligado ao seu passado”, diz o texto. “O primeiro filme é um filme de gângster direto ao ponto, executado no mais alto nível possível, mas a continuação é uma peça moral de proporções cósmicas.”
3º: “2046”, de Wong Kar-wai (2004)
“A única sequência direta de Wong Kar Wai é também seu maior filme, embora chamar ‘2046’ de sequência direta de qualquer coisa possa distorcer o quão embaralhado esse épico introspectivo e espiralado pode parecer na primeira vez que se assiste”, diz o texto de apresentação do longa, referindo também a “Anjos caídos”, de 1995. “As sequências surreais e propositalmente retrofuturistas de ficção científica contrastam com a elegância rarefeita da linha do tempo em Hong Kong, e Zhang Ziyi entrega uma das melhores atuações já vistas num filme de Wong, como uma garota de programa de língua afiada”.
4º: “O mundo de Apu”, de Satyajit Ray (1959)
Continuação de “A canção da estrada” (1955) e “O Invencível” (1956).
“A sensibilidade poética inata já vista em ‘A canção da estrada’ aqui vem reforçada por uma técnica sofisticada e experiente. As composições e durações dos planos revelam uma mão bem mais cuidadosa no comando, e o filme como um todo é montado em ritmo perfeito com a trilha sonora de Ravi Shankar”, diz o texto.
5º: “Zombie: O Despertar dos Mortos”, de George Romero (1978)
Continuação de “A Noite dos Mortos-Vivos” (1968).
“É um festival de suspense e vísceras que serve como veículo para uma crítica mordaz ao capitalismo americano, no qual o consumismo caminha naturalmente de mãos dadas com a matança”, diz o tezto.
6º: “Através das Oliveiras”, de Abbas Kiarostami (1994)
Continuação de “Onde Fica a Casa do Meu Amigo?” (1987) e “E a Vida Continua” (1992).
“Abbas Kiarostami criou uma das continuações mais improváveis que já se viu ao emendar o puramente ficcional ‘Onde Fica a Casa do Meu Amigo?’ com o híbrido de docudrama ‘E a Vida Continua’, que rastreia os atores do filme original após o terremoto devastador de 1990. Aprofundando essa autorreflexividade, ‘Através das Oliveiras’, de 1994, ‘documenta’ a realização de uma cena secundária do filme anterior, que se transforma num campo fértil de dramas nos bastidores”, diz o texto.
7º: “Mad Max: Estrada da fúria”, de George Miller (2015)
Continuação de “Mad Max” (1979), “Mad Max 2” (1981) e “Mad max: Além da cúpula do trovão” (1985).
“Lançado 30 anos após o encerramento da trilogia original de ‘Mad Max’, o filme mantém o mesmo dispositivo narrativo básico da trilogia original”, diz o texto. “Mas o mundo aqui é diferente daquele visto nos filmes dos anos 80: mais estilizado, mais hiper, mais místico. É uma paisagem deslumbrantemente bela para mergulhar”.
8º: “O peso do silêncio”, de Joshua Oppenheimer (2014)
Continuação de “O ato de matar” (2012).
“Esses filmes sobre o legado do genocídio indonésio de 1965-66 ressoam não apenas por sua importância, mas também pela forma como o ofício de Oppenheimer ativa essa importância; pelo modo como a audácia de sua realização cinematográfica resgata essa história das trevas e a injeta diretamente em nossos ossos”, diz o texto.
9º: “Paddington 2”, de Paul King (2018)
Continuação de “Paddington” (2014).
“Lançado numa época de crueldade sádica e xenofobia desenfreada em todo o mundo anglófono, ‘Paddington 2’, de Paul King ( infinitamente inventivo e comovente fora do comum), se aprofundou a partir do primeiro filme da série, menos incisivo, para oferecer uma repreensão de olhar firme à ideia de que chegaremos a algum lugar bom cedendo aos nossos piores impulsos”.
10º: “Aliens: O Resgate”, de James Cameron (1986)
Continuação de “Alien, o oitavo passageiro” (1979)
“É, obviamente, um dos maiores filmes de ação já feitos. Transbordando de uma noção de escala que poucos outros cineastas são capazes de gerar, a sequência esteroidal de Cameron ilustrou brilhantemente que essa franquia era tão adaptável quanto o próprio monstro que estampava seu cartaz”, diz o texto.

