Sempre que um treinador deixa o Fluminense, o protocolo interno mais conhecido do clube é acionado. Com a demissão de Luis Zubeldía, Marcão volta a dirigir a equipe pela 11ª vez, de acordo com a contagem adotada nas últimas mudanças de comando. O auxiliar permanente está confirmado contra o Palmeiras, sábado, às 16h30, no Maracanã, e poderá chegar também à decisão da Libertadores contra o Independiente Rivadavia caso a diretoria não anuncie um substituto até terça-feira.
Análise: Zubeldía derrete no comando do Fluminense, que foi do melhor futebol do Brasil à falta de confiança em decisões
A disponibilidade imediata é apenas uma parte da relação de Marcão com o clube. Como jogador, o antigo volante disputou 397 partidas e marcou 22 gols pelo Fluminense. Foi campeão da Série C em 1999 e do Campeonato Carioca em 2002 e 2005, neste último como capitão. Depois de encerrar a carreira e iniciar a trajetória como treinador, retornou às Laranjeiras e, em 2019, passou a ocupar oficialmente a função de auxiliar permanente, independentemente das comissões contratadas pela diretoria.
Os primeiros acionamentos aconteceram em 2016. Marcão substituiu Eduardo Baptista durante o Campeonato Carioca e voltou ao cargo no fim do mesmo ano, depois da saída de Levir Culpi. Em 2019, foi chamado durante as transições que sucederam Fernando Diniz e Oswaldo de Oliveira, com o Fluminense ameaçado pelo rebaixamento. Na principal sequência daquela temporada, dirigiu o time por 15 jogos, conseguiu seis vitórias e cinco empates, afastou o risco de queda e ainda garantiu classificação para a Copa Sul-Americana.
As melhores lembranças como treinador vieram nas duas temporadas seguintes. Em 2020, Marcão assumiu depois que Odair Hellmann aceitou uma proposta do Al-Wasl. Nas 12 rodadas finais do Brasileiro, conquistou seis vitórias e quatro empates, manteve o Fluminense na quinta colocação e levou o clube de volta à Libertadores depois de oito anos. Em 2021, substituiu Roger Machado com o time em 15º lugar e terminou o campeonato em sétimo, classificado para a fase preliminar da competição continental. Foi sua passagem mais longa: 25 jogos, com 11 vitórias, quatro empates e dez derrotas.
Depois disso, os trabalhos voltaram a ser pontuais. Em 2022, Marcão comandou o time na derrota por 3 a 2 para o Coritiba antes da chegada de Fernando Diniz. No início de 2024, dirigiu uma formação alternativa nas quatro primeiras rodadas do Carioca e entregou o grupo principal na liderança, depois de três vitórias e um empate. Chamado novamente após a demissão de Diniz, perdeu para Vitória e Grêmio antes da contratação de Mano Menezes. Em 2025, trabalhou no começo do Estadual e, após a saída de Mano, comandou a vitória sobre o Once Caldas, na Colômbia.
O número de 11 vezes deve ser entendido como acionamentos, e não como 11 trabalhos longos e independentes. Há períodos do mesmo ano agrupados nessa contagem e transições que sequer produziram uma partida. Foi o que ocorreu depois do pedido de demissão de Renato Gaúcho, em setembro de 2025: Marcão chegou a ser anunciado como interino pela décima vez, mas Zubeldía foi contratado a tempo de estrear contra o Botafogo. Por isso, os números do auxiliar como treinador não se alteraram naquela ocasião.
Antes do confronto com o Palmeiras, Marcão soma 72 jogos oficiais à frente do Fluminense, com 30 vitórias, 20 empates e 22 derrotas. O aproveitamento é de 50,9%, com 78 gols marcados e 61 sofridos. A 11ª missão começa contra o melhor visitante do Campeonato Brasileiro e pode avançar para um mata-mata de Libertadores fora de casa. Mais uma vez, o clube recorre ao profissional que conhece o elenco, a estrutura e a pressão, agora com pouquíssimo tempo para tentar devolver confiança a uma equipe que não vence há oito partidas.

