A possibilidade de um “super El Niño” neste ano levou a Cedae a reforçar medidas de prevenção nos dois principais sistemas de abastecimento de água da Região Metropolitana do Rio: Guandu e Imunana-Laranjal. A companhia informou que vem ampliando estruturas de monitoramento há três anos, controle da qualidade da água e planos de contingência para reduzir os impactos de eventos climáticos extremos.
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Desde 2024, os dois sistemas contam com Planos de Segurança da Água (PSA), que classificam situações de risco em três níveis — normal, alerta e crítico — e estabelecem protocolos de resposta. Entre os cenários previstos estão a presença de produtos químicos nos mananciais, a estiagem e a proliferação de cianobactérias, fenômeno que pode ser favorecido pela combinação de pouca chuva e temperaturas elevadas.
Entre as medidas previstas em situações de estiagem estão a operação das comportas das barragens nos pontos de captação e mecanismos para elevar a altura dessas estruturas. No caso do Guandu, o plano também prevê a possibilidade de ampliar a vazão transposta do Rio Paraíba do Sul.
Monitoramento 24 horas
A estrutura de acompanhamento dos mananciais ganhou um novo centro em junho, com a inauguração do Centro de Monitoramento Ambiental (CMA), em Botafogo. A unidade reúne informações produzidas pelos sistemas instalados nas bacias que abastecem as estações de tratamento do Guandu e de Laranjal.
O monitoramento inclui um mapa climático em tempo real, imagens de 36 câmeras e dados de dez parâmetros físico-químicos coletados por sensores flutuantes, drones e câmeras espectrais. A tecnologia permite identificar alterações físicas e químicas na água e acompanhar também atividades que podem afetar os mananciais, como a extração ilegal de areia nas margens dos rios.
Em junho, a Companhia inaugurou, em Botafogo, o Centro de Monitoramento Ambiental (CMA)
Divulgação
Segundo a Cedae, técnicos acompanham os dados 24 horas por dia. A companhia também conta com quatro laboratórios inaugurados entre 2023 e 2025 nas estações de tratamento de Guandu, Laranjal e Tijuca. As unidades realizam análises físico-químicas, químicas, bacteriológicas e hidrobiológicas de mais de 90 parâmetros, desde a água dos mananciais até o produto tratado.
Caso seja identificada alguma alteração, as informações são encaminhadas aos centros de controle operacional dos sistemas Guandu e Imunana-Laranjal e aos órgãos estaduais de fiscalização ambiental. A partir desses dados, as equipes podem acionar preventivamente os protocolos previstos nos planos de segurança.
— É fundamental que as informações sejam precisas e rápidas, para que os técnicos responsáveis pelo tratamento saibam exatamente o que causou alterações na qualidade da água bruta e tenham tempo de acionar os protocolos de segurança — afirma Débora Dias, assessora da Gerência Geral de Controle de Qualidade da Cedae.
Novo sistema para dar mais segurança
Além das medidas de prevenção, a Cedae aposta na ampliação da capacidade de produção com o Novo Guandu. O sistema, em construção em Nova Iguaçu, tem conclusão prevista para 2030 e deverá produzir inicialmente 7,5 mil litros de água por segundo para a Zona Oeste do Rio e a Baixada Fluminense.
A expectativa é reforçar o abastecimento de cerca de 3 milhões de pessoas. O projeto também foi concebido para permitir uma expansão futura da produção conforme o crescimento da demanda.
De acordo com o presidente da Cedae, Rafael Rolim, a nova estrutura deve aumentar a resiliência do abastecimento diante de um cenário de eventos climáticos extremos mais frequentes.
— O Novo Guandu vai dar mais segurança ao abastecimento da Região Metropolitana ao operar com o Guandu, trazendo redundância para a produção de água: caso seja preciso reduzir ou interromper a produção em uma das unidades, a outra continuará em operação — afirma.
Com a entrada do Novo Guandu, os dois sistemas poderão produzir, juntos, cerca de 50 mil litros de água por segundo.
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