Após a conclusão de um imbróglio judicial, a construtora e incorporadora Gafisa confirmou a cessão do imóvel do Hotel Praia Ipanema, em endereço nobre da Avenida Vieira Souto, para a gestora imobiliária Glória Participações. A operação foi avaliada em R$ 223 milhões.
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O valor será abatido de dívidas da Gafisa envolvendo o empreendimento, informou a companhia em comunicado ao mercado na noite de quinta-feira.
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Com a confirmação, a Gafisa conclui a venda de três empreendimentos no Rio. Os desinvestimentos, revelados pelo site Metro Quadrado e confirmados pelo O GLOBO em julho, incluem os shoppings Fashion Mall e Guadalupe, além do antigo hotel na orla de Ipanema, que está fechado desde 2023.
Hotel internacional de ultraluxo
A conclusão do negócio retomará investimentos no hotel. Em nota, a Glória Participações informou nesta sexta-feira que avançará “com o projeto de revitalização”.
A ideia é “trazer para o endereço uma operação hoteleira internacional de ultraluxo”, informou a gestora.
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“Localizado em um dos endereços mais emblemáticos da orla carioca, o Praia Ipanema funcionou por 42 anos e faz parte da história da hotelaria da cidade. O projeto da Glória busca preservar essa vocação e, ao mesmo tempo, preparar o imóvel para um novo ciclo, alinhado aos mais elevados padrões internacionais de hospitalidade”, diz a nota.
Crise financeira
A Gafisa vem mergulhada em uma crise financeira, entremeada por embates entre acionistas e credores. O empresário Nelson Tanure, ligado a outras empresas em crise, foi seu principal acionista ao longo dos últimos anos.
A companhia fez um aumento de capital e segue um programa de venda de ativos, levantando recursos para focar no segmento de imóveis de luxo. Em maio, a Gafisa já tinha vendido um empreendimento em Niterói, que estava com as obras suspensas, para a Soter.
No comunicado em que informou a conclusão da operação no Praia Ipanema, a Gafisa reafirmou que seu plano de negócios “tem entre os seus objetivos a redução da alavancagem (endividamento) e um dos caminhos poderia ser a potencial alienação deste ativo”.
Além disso, o valor considerado na cessão do empreendimento “supera substancialmente” as propostas que vinha recebendo, diz o comunicado da Gafisa, frisando que a solução para sair do imóvel permitirá à companhia se livrar da “necessidade de buscar alavacagem (ou seja, se endividar ainda mais) para viabilizar investimento na incorporação e construção do projeto”.
Segundo o comunicado, o valor da operação “foi destinado para a baixa imediata de litígios judiciais e de passivos relacionados ao projeto dos quais a Gafisa é garantidora ou corresponsável”.
No primeiro trimestre, a Gafisa registrou prejuízo líquido de R$ 45,6 milhões, ante lucro de R$ 21,13 milhões em igual período do ano passado. O endividamento da companhia ficou em R$ 1,62 bilhão no fim de março, estável na comparação com o trimestre anterior. Os resultados do segundo trimestre serão divulgados no próximo dia 31.
Hotéis fechados
A Gafisa levou o prédio do Praia Ipanema após compra da construtora Bait, numa transação de R$ 180 milhões, em 2022. O hotel fechou as portas no ano seguinte e segue parado — num momento em que o turismo está em alta, no Brasil e no Rio.
Tanto que o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que deixou o cargo para se candidatar ao governo do estado nas eleições gerais de outubro, foi às redes sociais no fim do ano passado para reclamar do fechamento tanto do Praia Ipanema quanto do antigo hotel InterContintental, em São Conrado.
Segundo Paes, os dois empreendimentos estavam “degradando o ambiente urbano em áreas nobres da cidade”, impedindo a entrada de novos investidores interessados em expandir a oferta hoteleira carioca.

