
Em cartaz na Casa Roberto Marinho, no Cosme Velho, Zona Sul do Rio, até 27 de setembro, com visitação média de 5 mil pessoas por mês, a individual “O (tempo)”, de Waltercio Caldas, terá o livro de mesmo nome lançado neste sábado (15), às 15h, em tarde de autógrafos. Com textos críticos de Paulo Sergio Duarte e Paulo Venancio Filho, que acompanham de perto a trajetória do artista, e apresentação assinada por Lauro Cavalcanti, diretor da instituição, a publicação bilíngue traz 111 imagens das obras selecionadas para a mostra, cobrindo seis décadas de carreira.
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Seguindo a linha editorial da Casa, com publicações que acompanham as mostras, “O (tempo)” teve um envolvimento direto de Waltercio em sua preparação, trabalhando junto à designer gráfica Sula Danowski, como destaca Cavalcanti.
— Da mesma forma que o Waltercio atuou na curadoria da mostra, pensando a disposição das obras como as articulações entre elas, ele também participou muito do livro. Como ele faz tudo muito bem e de forma coerente, o resultado foi excelente — enaltece o diretor da CRM. — A exposição é um primeiro impulso, e o livro tem essa identidade própria, vai além de um catálogo da mostra.
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Nos textos críticos, Duarte aborda a trajetória do artista, e Venancio aponta questões relativas à própria exposição. Em sua apresentação, Cavalcanti contextualiza a geração de Waltercio (que completa 80 anos em novembro) em relação à produção contemporânea brasileira, em especial ao movimento neoconcreto, do final da década de 1950.
— Falo do objeto neoconcreto, mas com a diferença de que o movimento articulava a palavra a ele. Ao passo que o Waltercio valoriza o objeto antes de seu próprio nome, o espectador que vai descobrir seu sentido ao olhá-lo, é um objeto quase autônomo — compara Cavalcanti. — Ele aprecia muito esse breve momento de surpresa do espectador em relação o objeto. Tem essa diferença em relação aos “Bichos” (esculturas interativas de Lygia Clark), por exemplo, que se completam na ação mecânica do espectador. O Waltercio convida para essa interação não de forma física, mas com o olhar.
Capa do livro ‘O tempo’
Divulgação
As páginas iniciais do livro trazem a citação de um fragmento poético do cineasta franco-suíço Jean-Luc Godard (1930-2022), uma reflexão sobre a densidade do tempo e a dificuldade do cinema em capturá-lo. Utilizado como texto de parede na exposição, o poema, além de abordar o tema que perpassa as 108 obras em cartaz, também reforça a relação do artista com a sétima arte, que resultou numa seleção de 20 filmes nacionais e internacionais por ele indicados, exibidos no auditório, durante a mostra.
— Foi uma forma de sair da sua área específica de atuação para que o público pudesse conhecer também a apreciação do Waltercio sobre outra forma de arte, e que é muito reveladora. Você tem um dado a mais para compreender sua produção vendo a sofisticação e o ecletismo das suas escolhas, que vão desde de Tarkovsky (“Solaris”) a Sergio Leone (“Era uma vez no Oeste”) — conclui Cavalcanti.
‘O (tempo)’
Autor: Textos de Lauro Cavalcanti, Paulo Sergio Duarte, Paulo Venancio Filho e Waltercio Caldas. Tradutor: John Norman. Editora: Casa Roberto Marinho. Páginas: 184. Preço: R$ 290.
