Na Grande Tijuca, é possível começar o dia diante de uma xícara de café especial, fazer uma trilha cercada pela Mata Atlântica, almoçar em um botequim, passar a tarde entre teatro e música e terminar a noite com massa fresca ou uma taça de vinho. Da Tijuca ao Grajaú, a região reúne programas para diferentes momentos do dia e oferece opções para quem quer aproveitar a região sem precisar ir muito longe.
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Na Tijuca, o Café Lunático, na Rua General Roca 539, nasceu justamente da percepção de que faltavam cafeterias de rua especializadas no bairro. Há cinco anos, Tainá Amorim e o marido decidiram investir no segmento, depois de pesquisar o mercado e perceber o espaço para a proposta.
— A ideia sempre foi ser na Tijuca, porque moramos no bairro. Fizemos uma pesquisa de mercado e chegamos à conclusão de que tinha público para cafés especiais — conta Tainá, gerente e sócia da casa.
Misto-quente e o coado são opções no Café Lunático
Divulgação/Café Lunático
O nome acompanha a proposta de fugir do convencional. A inspiração passa pela astronomia e pela ideia de energia associada ao próprio café. Essa identidade aparece também no atendimento: em vez do serviço tradicional de mesa, o cliente marca o pedido em uma comanda, entrega no balcão e pode permanecer no espaço lendo, trabalhando ou conversando.
No cardápio, o coado (R$ 8) e o cappuccino (R$ 15) estão entre as bebidas mais procuradas. Para acompanhar, o queijo-quente (R$ 23), que leva queijo curado e molho pesto. Entre os doces, o Buraco Negro (R$ 18) é o mais pedido: o doce é um bolo de chocolate meio amargo, sem farinha, servido com chantilly de tangerina. Os grãos servidos no Lunático mudam de acordo com as safras e passam por uma curadoria dos baristas, com cafés de diferentes torrefações e regiões do país.
O Lunático prepara ainda uma mudança de endereço, prevista para setembro. A nova casa ficará na Rua Carlos Vasconcelos 145, também na Tijuca.
Outra opção para começar o dia é a Casa Afagá, no Andaraí. Criada em 2017, a marca nasceu como uma food bike de brigadeiros na Rua Montevidéu, na Penha. Os fundadores Matheus Duarte, Jessica Veras e Thayanini Magalhães passaram anos vendendo bolos de pote e doces como ambulantes até que, durante a pandemia, o crescimento do delivery impulsionou o negócio.
Em 2021, surgiu a Casa Afagá, na Rua Uruguai 141. Inicialmente pensado como fábrica, o espaço acabou se transformando em café e casa de brunch, com um cardápio marcado pela gastronomia afetiva. O bolo de caramelo salgado (R$ 29) virou um dos símbolos da marca, ao lado de cafés, brusquetas e sobremesas.
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Depois do café da manhã, a paisagem pode mudar completamente. Na Floresta do Parque Nacional da Tijuca, no Alto da Boa Vista, o passeio varia de caminhadas mais tranquilas a trilhas que levam a alguns dos pontos mais altos da cidade. A Floresta da Tijuca integra o parque nacional mais visitado do país há 18 anos consecutivos.
Entre os pontos mais conhecidos estão a Cascatinha Taunay, com 35 metros de altura; a Cachoeira das Almas; o Poço Job de Alcântara; a Vista Chinesa; e a Vista do Almirante. Para quem pretende encarar caminhadas mais longas, o Largo do Bom Retiro dá acesso às trilhas do Pico da Tijuca, do Bico do Papagaio e do Tijuca Mirim.
Visitantes em frente à Cascatinha Taunay, na Floresta da Tijuca, no Alto da Boa Vista
Divulgação/Marcus Carmo
Pedestres e ciclistas podem entrar no setor a partir das 6h e têm até as 17h para acessar o parque, podendo permanecer até as 18h. Carros e motos entram das 8h às 17h, sujeitos ao limite diário de veículos. Já o acesso às trilhas que partem do Largo do Bom Retiro fica liberado das 7h às 15h.
No Grajaú, uma alternativa é o Parque Estadual do Grajaú, opção para caminhadas, piqueniques e aulas de ioga. O parque funciona de terça a domingo, das 6h às 17h. Para fazer piquenique, não é necessário reservar, mas o responsável deve comunicar a atividade na entrada, no número (21) 98432-5633. São permitidos alimentos frios, cadeiras de praia e pequenas mesas dobráveis.
Na hora do almoço, o Grajaú concentra duas opções tradicionais. No Bar do Adão, na Avenida Engeheiro Richard 105, o pastel é o protagonista. Entre os sabores estão o Dos Deuses, com brie, mozarela de búfala, gorgonzola e parmesão (R$ 12,90); o Boi Chique, de carne com gorgonzola (R$ 12,50); e o Francês, de camarão, catupiry e alho-poró (R$ 13,50). Porém, quem prefere uma refeição mais reforçada encontra ainda filé-mignon com fritas (R$ 129,90), carne-seca com aipim (R$ 99,90), escalopinho à piemontese (R$ 218, inteira) e picanha à gaúcha (R$ 239 inteira).
Poucos metros adiante, o Enchendo Linguiça, no número 2 da mesma avenida, fez da fabricação artesanal de embutidos uma atração à parte. Há duas décadas no Grajaú, a casa produz as próprias linguiças em uma fábrica instalada no mezanino. Entre os carros-chefe estão a Linguiça Croc (R$ 135 inteira), envolvida em batatas chips; e o joelho de porco à pururuca (R$ 115).
— Viramos referência da boemia na Zona Norte e por toda a cidade. E tudo isso só pode ser alcançado com uma boa relação com nossos clientes, serviço de qualidade e produtos diferenciados — afirma o sócio Fernando Breschnik.
Para quem quiser esticar a tarde pelo balcão, a Tijuca guarda endereços onde a história do bairro se mistura à do próprio bar. Fundado em 1945, o Bar do Bode Cheiroso, na Rua General Canabarro 218, atravessa gerações no mesmo endereço e permanece sob o comando da família do fundador. Leonardo Braga e a irmã assumiram o negócio em 2014, representando a terceira geração à frente da casa.
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O nome do estabelecimento, Bode Cheiroso, surgiu de uma confraria criada por frequentadores que se reuniam aos domingos no local nos anos 1970, quando o lugar ainda se chamava Café e Bar Macaense. O apelido de Bode ganhou tanta força que acabou se tornando a identidade do bar.
— Todo mundo só conhecia como Bode. Quando assumimos, em 2014, falamos: “Vamos chamar o bar de Bode Cheiroso”. Fizemos letreiro, registramos, e foi assim que virou o que é hoje — conta Braga.
O Bar do Bode Cheiroso é um clássico boêmio da região da Grande Tijuca, com 80 anos de tradição
Aexandre Cassiano
O torresmo (R$ 28) é o petisco mais vendido, enquanto, entre as refeições, o pernil com maionese (R$ 36) lidera os pedidos. Mas, para Braga, a essência está na convivência.
— O botequim continua sendo o lugar mais democrático do Rio. Você pega o pedreiro que conversa com o médico, que conversa com o engenheiro, com o catador de lata, e a opinião de todo mundo vale ao mesmo tempo. O botequim é esse encontro — define.
Com uma proposta mais contemporânea, o Beneh Gastrobar, na Rua Dona Maria 9, nasceu da amizade entre três ritmistas do Salgueiro: Guilherme Silva e os irmãos Guilherme e Gustavo Oliveira. O cardápio combina clássicos de boteco, opções vegetarianas e receitas autorais. Um dos itens mais pedidos do cardápio é a Pipoca de Porco (R$ 38), que são cubos de lombo suíno empanados e marinados em páprica defumada e especiarias. No Beneh, a música ocupa espaço fixo na programação. Às sextas há voz e violão ou jazz; sábado é dia de pagode; e domingo, de roda de samba.
— A Tijuca é a nossa casa, o local onde crescemos, vivemos e amamos. Queremos que todos, independentemente das suas preferências, possam curtir o nosso Beneh — afirma Silva, ao lado dos dois sócios.
O passeio também pode passar pelos palcos. Fundado em 1988, o Teatro Ziembinski, na Avenida Heitor Beltrão, mantém programação de teatro adulto e infantil. Até quarta-feira, às terças e quartas, às 20h, está em cartaz “Mãe riso”, espetáculo que parte da experiência da maternidade para discutir, com humor, a ideia do chamado “instinto materno”. O ingresso custa R$ 60 (inteira).
Aos sábados e domingos, às 16h, até o próximo dia 23, “Xangô menino” ocupa o palco com uma história que reúne elementos das culturas afro-brasileira e indígena em torno de uma festa de colheita. O ingresso custa R$ 40 (inteira).
Outra parada possível é o Centro da Música Carioca Artur da Távola, instalado no Palacete Garibaldi, de 1921, na Rua Conde de Bonfim. Além da Sala Maestro Paulo Moura, com 159 lugares, o espaço abriga salas de aula, estúdio, exposições e a Biblioteca Lúcio Rangel, com cerca de três mil livros sobre música.
Na programação do centro, sábado (15), às 17h, Elisa Queirós reúne Zé Luiz Maia, Marcio Bahia, Leo Amuedo e Martché em um tributo à família Caymmi. A entrada custa R$ 60 (inteira). Domingo (16), às 11h, o projeto Clássicos Domingos recebe a Camerata Música Viva, liderada pelo oboísta e compositor Harold Emert. O ingresso custa R$ 30 (inteira).
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Para terminar o dia, a Casa Orzo, na Rua Mariz e Barros 1.093, que ocupa um antigo imóvel de dois andares, pode ser uma boa opção. Sob o comando do chef executivo Arthur James, a cozinha mantém as massas frescas como um dos pilares do cardápio. Entre os pratos estão linguine com camarões e molho bisque (R$ 108) e chorizo acompanhado de tagliolini e fonduta de parmesão (R$115).
Nas sobremesas, a rabanada brûlée (R$ 35) permanece como um dos sucessos da casa, ao lado do crema & café (R$ 36), uma interpretação do tiramisù com biscoito produzido no restaurante, ganache de mascarpone, creme inglês de café e cacau.
Já na Rua Uruguai 345, o Patas & Rolhas oferece outra forma de encerrar o roteiro, principalmente para quem gosta de vinhos. A poucos metros do metrô, o bar de vinhos tem 18 torneiras de autosserviço, sendo seis delas dedicadas a vinhos brasileiros e outras seis a rótulos de baixa intervenção. O cliente recebe um cartão pós-pago, escolhe o rótulo e a quantidade que deseja provar e acerta a conta ao final.
Adega do Patas & Rolhas tem torneiras de vinhos de autosserviço
Divulgação/Pedaço do Céu Fotografia
A adega soma mais de 200 opções de dez países, tem cardápio variado, com opções de sanduíches e petiscos, e programação que muda ao longo da semana. Às terças-feiras, há promoção de sanduíche com taça (R$ 50) e, a partir da semana que vem, entra em cena a Terça às Cegas (R$ 69), experiência com três vinhos servidos sem identificação. Às quartas, a casa promove a Noite dos Oráculos; às quintas, há rodízio de vinhos, com cinco rótulos à vontade (R$ 80); e às sextas, um DJ comanda o som.
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