O líder político e principal negociador do Hamas, Khalil al-Hayya, chegou ao Cairo na noite deste sábado (15) para um encontro com o chefe da inteligência Hassan Rashad na manhã de domingo (16). A informação é das agências AFP e Andolu.
Segundo fontes ligadas ao Hamas, al-Hayya fez o percurso com uma “delegação de alto nível” e teria chegado à capital egípcia durante a noite de sábado. O objetivo da viagem seria discutir com Rashad questões estratégicas relacionadas à Palestina, entre elas as negociações para consolidar o acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza.
Acompanham o líder o chefe do conselho consultivo do Hamas, Mohammed Darwish, o chefe do movimento no exterior, Khaled Meshaal, o chefe na Cisjordânia, Zaher Jabarin, e o líder do Escritório de Relações Árabes e Islâmicas, Basem Naim.
Esta é a primeira visita de Khalil al-Hayya ao Egito desde que assumiu a liderança do Hamas no fim de julho, mas ele se adianta à chegada do enviado de Donald Trump, seu genro Jared Kushner, na próxima semana.
Kushner deve visitar Israel e Egito para discutir, como já planejado, o plano de paz para Gaza que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, rejeitou. Ele deve chegar acompanhado do diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, representante do Comitê de Paz de Trump para Gaza.
Parte do plano apoiado pelos EUA inclui a entrega de armas do Hamas para um novo comitê palestino de governo da região, enquanto Israel deve fazer sua retirada gradual do território. O grupo armado já concordou com sua condição, mas Netanyahu disse no último domingo em reunião de gabinete que as forças israelenses “não vão realizar nenhuma retirada até que o Hamas esteja genuinamente desarmado”.
Israel Katz, ministro da Defesa Israelense, ainda declarou na última semana que as tropas do país continuarão em “zonas de segurança” ocupadas no Líbano e na Síria, reiterando a presença militar de Israel em todos os seus três frontes.
Já Basem Naim, uma das lideranças políticas do Hamas que acompanha al-Hayya na viagem ao Egito, garantiu à AFP na sexta que o grupo armado “continua aguardando a pressão dos mediadores e do lado americano sobre Netanyahu e seu governo para compelir [o primeiro-ministro] a obedecer o mapa” estabelecido no cessar-fogo negociado em outubro de 2025.
Mais de 1.250 palestinos foram mortos por fogo israelense em Gaza desde o acordo, segundo fontes oficiais da Palestina consultadas pela rede Al Jazeera.

