Uma delegação do Hamas se reuniu neste domingo no Egito com o enviado dos Estados Unidos e genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, que tenta impulsionar um plano de paz para a Faixa de Gaza. No mesmo dia, delegações americanas também se reuniram separadamente com autoridades do Egito para discutir a situação no enclave palestino. Os encontros ocorreram enquanto Washington tenta reduzir as divergências entre Israel e Hamas sobre a implementação do plano de paz promovido por Trump.
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Contexto: Netanyahu reitera rejeição a acordo, e Hamas cobra dos EUA pressão sobre Israel nas negociações para Gaza
A reunião, realizada na cidade de El Alamein, “destacou a necessidade de que todas as partes cumpram suas obrigações previstas no acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza”, disse o porta-voz do governo egípcio, Mohamed El Shennawy, em comunicado.
O Hamas deu seu aval, em julho, ao roteiro americano destinado a colocar em prática a segunda fase do plano, que prevê o desarmamento do grupo e a retirada israelense de Gaza. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, no entanto, rejeitou o texto, exigindo o que chamou de um desarmamento “verdadeiro” do Hamas.
O desarmamento do Hamas é um componente fundamental do plano de 20 pontos do presidente americano para Gaza, cuja maior parte ainda não foi implementada quase um ano depois que um cessar-fogo inicial foi alcançado em outubro passado. Neste domingo, o Hamas reafirmou seu compromisso com o plano de paz, enquanto Kushner insistiu no desarmamento total do grupo, destacando que o Hamas não deve ter nenhum papel no futuro governo da Faixa de Gaza.
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O grupo, que governa o enclave desde 2007, anunciou em julho a dissolução de sua administração civil e a intenção de transferir suas responsabilidades à Comissão Nacional para Administração de Gaza, órgão criado pelo Conselho da Paz e composto por tecnocratas palestinos, que deverá garantir a transição no território.
O líder do Hamas, Jalil el Hayya, se reuniu na mesma cidade com o chefe dos serviços de inteligência egípcios, Hassan Rashad. Kushner, por sua vez, encontrou-se com mediadores do Egito, Catar e Turquia, além de Nickolay Mladenov, alto representante para Gaza do Conselho da Paz.
Na sequência, o genro do líder americano viajou para Israel. Ele e Mladenov devem se reunir na segunda-feira com Netanyahu, que, em 9 de agosto, disse que o mais recente roteiro do republicano para a paz em Gaza era “inaceitável”. Embora Kushner não ocupe um cargo oficial no governo dos EUA, Trump o escolheu, ao lado do ex-incorporador imobiliário Steve Witkoff, para liderar negociações sobre assuntos tão diversos quanto as guerras na Ucrânia e em Gaza.
Plano de paz
Um dirigente do grupo palestino havia declarado à AFP que as conversas abordariam “os últimos acontecimentos nas negociações e os esforços que estão sendo realizados para obrigar Israel a respeitar o acordo, que inclui o roteiro de 15 pontos, e iniciar sua implementação”.
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A delegação palestina buscava informar “as autoridades egípcias sobre as violações israelenses do acordo de cessar-fogo”. Para isso, Hayya pretendia destacar “o compromisso do grupo e sua disposição para implementar o acordo assim que Israel anunciar seu compromisso com ele”. Após a reunião, o Hamas disse ter pedido ao Conselho da Paz para que “forçasse” Israel a aceitar o plano de paz para a Faixa de Gaza.
Para que o acordo com o Hamas avance, Israel provavelmente teria que concordar com um cronograma gradual para a retirada de suas forças da Faixa de Gaza, paralelamente à entrega gradual das armas pelo Hamas. Netanyahu tem relutado em fazer isso, exigindo um “desarmamento genuíno”. Analistas avaliam que a posição de Netanyahu reflete a guinada à direita de Israel após os ataques de 2023, além dos esforços do premier para conquistar eleitores antes das eleições nacionais deste ano.
Por anos, os EUA se recusaram a manter contatos com o Hamas, que classificam como organização terrorista e que liderou o ataque de 2023 contra Israel, desencadeando a guerra em Gaza. O governo Trump, no entanto, tem se mostrado cada vez mais disposto a manter contatos diretos na esperança de pôr fim à guerra, negociando o acordo de cessar-fogo de outubro que permitiu a libertação dos reféns israelenses.
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Em comunicado conjunto, oito países muçulmanos, entre eles Egito, Catar e Turquia, condenaram a rejeição israelense ao roteiro americano, considerando que ela colocava em risco “os esforços coletivos destinados a alcançar uma paz justa e duradoura”.
Violações do acordo
Hamas e Israel acusam-se mutuamente de violar o cessar-fogo alcançado em outubro de 2025 no território palestino, devastado por dois anos de guerra. Israel retomou os ataques aéreos em Gaza, e várias pessoas ficaram feridas neste domingo depois que aviões israelenses atacaram uma residência a oeste de Nuseirat, informou a Defesa Civil de Gaza.
O Exército israelense afirmou que respondia a uma ameaça de militantes da Jihad Islâmica. As forças israelenses também abriram fogo contra várias tendas de deslocados a oeste de Khan Younis, no sul de Gaza.
Pelo menos 1.262 palestinos morreram em operações israelenses desde a entrada em vigor do cessar-fogo, segundo números do Ministério da Saúde de Gaza, governado pelo Hamas. Os dados são considerados confiáveis pelas Nações Unidas. O Exército israelense registrou cinco mortes entre seus soldados durante o mesmo período.
(Com AFP e New York Times)

