As guerras entre Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro e milícia deixam um rastro de sangue, em confrontos e execuções que aterrorizam moradores de diferentes regiões do Rio. Nas áreas onde o CV enfrenta rivais para expandir ou manter seus territórios, dados do Instituto de Segurança Pública do Rio (ISP-RJ) revelam alta na letalidade violenta, indicador que reúne homicídios dolosos, mortes por intervenção de agentes do Estado, roubos seguidos de morte e lesões corporais seguidas de morte. O movimento contrasta com o cenário do estado como um todo, onde o indicador caiu 10% no primeiro semestre deste ano: foram 1.778 casos, contra 1.973 no mesmo período de 2025.
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Um dos aumentos mais expressivos ocorreu na Zona Sudoeste do Rio, onde traficantes usam comunidades como Cidade de Deus e Gardênia Azul como base para tentar avançar sobre Rio das Pedras, berço da milícia e último reduto dos paramilitares na região. Na área da 32ª DP (Taquara), que engloba Gardênia e Cidade de Deus, foram 94 mortes violentas no primeiro semestre deste ano, 62% acima das 58 registradas entre janeiro e junho de 2025.
Um episódio recente ajuda a dimensionar a disputa na região. Na última terça-feira, no Tanque, bairro vizinho à Taquara e à Praça Seca, dois homens morreram após traficantes ligados ao Comando Vermelho, segundo as informações iniciais, atirarem contra o carro em que estavam. A suspeita é de que as vítimas integrassem uma milícia local. Um terceiro homem ficou ferido. No veículo, a PM encontrou uma pistola, carregadores de fuzis e pistolas, 214 munições, rádios comunicadores e outros equipamentos.
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Nos últimos meses, Rio das Pedras, na área da 16ª DP, tem sido cenário de sucessivas investidas do CV. Como mostrou O GLOBO, dois fatores explicam o interesse da facção: a tentativa de formar um cinturão de domínio na região e a cobiça pelos lucros dos negócios ilegais na favela. Estima-se que milicianos arrecadem cerca de R$ 2 milhões por mês com serviços como TV a cabo e internet clandestinas, entre outros mercados.
Outra região com aumento expressivo da violência é a da 78ª DP (Fonseca), em Niterói. Ali, as mortes violentas mais que dobraram: passaram de nove no primeiro semestre de 2025 para 22 no mesmo período deste ano, alta de 144%.
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