A inteligência artificial generativa já entrou de vez na rotina das escolas brasileiras. Entre os alunos do Ensino Médio que usam tecnologia para atividades escolares, 70% recorrem à IA. Entre os professores, 43% já utilizam ferramentas de inteligência artificial para preparar conteúdos didáticos.
Os números fazem parte da Pesquisa TIC Educação e foram apresentados por Daniela Costa, doutora em Educação, consultora da UNESCO Brasil e coordenadora da pesquisa no Cetic.br/NIC.br, durante o Encontro de Educadores do Século XXI, da Casa Firjan, que segue até amanhã. Ela participou da conferência “Marcos regulatórios e referenciais de competências digitais: o que se espera dos professores na sociedade mediada por tecnologias digitais?”.
O levantamento, porém, mostra que a velocidade com que a IA chegou às escolas não foi acompanhada pelo preparo para lidar criticamente com a tecnologia. Apenas 33% dos estudantes dizem ter aprendido com professores a identificar erros ou preconceitos em conteúdos produzidos por inteligência artificial.
A discussão sobre inteligência artificial também passa pelas regras para o uso de tecnologias dentro das escolas. A Lei nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares pelos alunos, consolidou um debate que já vinha avançando.
Segundo a pesquisa, entre 2023 e 2024 aumentou de 28% para 39% a parcela de escolas que não permitem o uso de telefone celular pelos estudantes.
Para Daniela Costa, a discussão precisa ir além da simples proibição. À luz do Marco Referencial de Competências em IA para Professores da UNESCO, ela destacou o papel da liderança educacional na formação de docentes capazes de orientar o uso ético, crítico e responsável das novas tecnologias.
E a escola continua tendo um papel central nesse processo. Entre os alunos que acessam a internet, 75% apontam o ambiente escolar como um dos espaços de conexão com a rede.

