Uma mobilização para ampliar a coleta de esgoto na Maré tem como objetivo mudar uma realidade ainda presente em pontos do conjunto de favelas: o despejo de esgoto próximo a casas e em vias da comunidade. As intervenções também abrangem a regularização do abastecimento de água de moradores e comerciantes que antes dependiam de ligações irregulares.
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De acordo com a Águas do Rio, responsável pelos serviços de saneamento na região, estão previstos investimentos de R$ 120 milhões até o fim de 2027, com melhorias nos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário. A estimativa da concessionária é que cerca de 200 mil moradores sejam beneficiados.
Na parte voltada ao esgotamento, o projeto prevê a instalação de 4,5 quilômetros de tronco-coletor e outros 18 quilômetros de redes secundárias. A estrutura deverá encaminhar aproximadamente 1,3 bilhão de litros de esgoto por mês para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Alegria, no Caju, segundo a empresa.
Parte das obras utiliza equipamentos conhecidos como “tatuzinhos”, que fazem a escavação subterrânea e, simultaneamente, a instalação das tubulações. A técnica busca diminuir a necessidade de abertura de grandes valas e os impactos das intervenções na circulação dentro da comunidade.
As intervenções incluem ainda a expansão e regularização do abastecimento de água. De acordo com a concessionária, cerca de 60 mil casas e estabelecimentos comerciais deverão ter as ligações regularizadas. Também estão previstas novas redes e a divisão do sistema em setores, permitindo que eventuais manutenções sejam realizadas em áreas menores, sem interromper o abastecimento de toda a região.
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Para alguns moradores, a mudança traz ainda efeitos burocráticos positivos que vão além da chegada regular de água às torneiras. Morador da Nova Holanda há mais de quatro décadas, o comerciante Gustavo Sales, conhecido como Mohamed, passou a ter uma conta em seu nome vinculada ao serviço.
— Agora eu existo. Hoje tenho um comprovante de residência no meu nome. Se faltar água ou qualquer coisa parecida, eu posso ligar e exigir meus direitos — conta ele.
O gerente-executivo da Águas do Rio, Bruno Sales, afirma que a regularização também cria uma relação formal entre os moradores e o serviço prestado
— Quando ouvimos um morador dizer “agora eu existo”, entendemos que o nosso trabalho vai muito além de levar água tratada. A regularização do abastecimento representa acesso a direitos, cidadania e mais qualidade de vida — diz.
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