O porta-aviões americano USS Abraham Lincoln começou nesta quinta-feira (20) a viagem de volta aos Estados Unidos, após nove meses em operação no Oriente Médio. A embarcação, que leva cerca de 5 mil militares, ainda estava na área de operações da 5ª Frota dos EUA, mas iniciou o deslocamento para San Diego depois que o USS George Washington chegou à região para assumir seu lugar.
Crise a bordo de um porta-aviões americano: marinheiros exaustos, problemas de saúde mental e escassez de alimentos
Conheça o USS George Washington, superporta-aviões dos EUA que vai substituir o USS Abraham Lincoln no Oriente Médio
A saída do Lincoln foi confirmada por um funcionário americano ao The New York Times e à CNN e ocorre após uma das missões mais longas da embarcação desde a Guerra Fria. O porta-aviões deixou San Diego em 21 de novembro de 2025 e foi deslocado do Pacífico para o Oriente Médio em janeiro, em meio às operações americanas relacionadas à guerra com o Irã, iniciada em 28 de fevereiro.
O retorno acontece depois da chegada do USS George Washington ao Oriente Médio na quarta-feira (19). O navio, que estava baseado no Japão e fazia parte das operações americanas na Ásia, passou a atuar sob o comando do Comando Central dos EUA (CENTCOM). A mudança deixa, por enquanto, os Estados Unidos sem um porta-aviões no Pacífico.
A operação do Lincoln foi marcada nas últimas semanas por relatos de deterioração das condições de vida e da saúde mental da tripulação. Segundo publicações especializadas e familiares de militares, integrantes da tripulação teriam tentado se jogar ao mar durante a missão prolongada.
Um marinheiro do porta-aviões caiu no mar no início deste mês, e o episódio aumentou as preocupações sobre o bem-estar dos militares a bordo, uma vez que as queixas descrevem um ambiente de trabalho especialmente exigente. Os marinheiros trabalham em turnos que podem durar entre 12 e 16 horas, com poucos dias de folga, enquanto o ruído constante dos motores e as condições no convés de voo aumentam o esgotamento físico.
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Parentes também relataram chuveiros mofados, problemas com água quente, banheiros quebrados, dificuldades para lavar roupa e falta de itens básicos como sabonete, pasta de dente e desodorante.
As queixas chegaram ao Congresso. O senador democrata Richard Blumenthal exigiu que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, responsabilizasse a Marinha pelas condições a bordo do porta-aviões, enquanto o senador Ruben Gallego solicitou uma visita oficial de supervisão com uma delegação bipartidária do Senado. O deputado Mike Levin também questionou publicamente a situação e exigiu melhores condições básicas para o pessoal militar destacado.
A Marinha, no entanto, rejeitou algumas das alegações mais graves. Um oficial afirmou que, com base nas informações disponíveis ao comando, não foi detectado nenhum aumento nos casos de ideação suicida ou tentativas de suicídio a bordo do Lincoln. Ele também afirmou que os marinheiros têm acesso a médicos, profissionais de saúde mental e capelães, e que o navio oferece acesso a água potável, ar-condicionado e opções de alimentação saudável.

