A partir de setembro, o Canal do Panamá vai reduzir o trânsito de navios em razão da previsão de queda no volume de chuvas em consequência do El Niño, segundo a administração da instalação por onde passa aproximadamente 5% de todo o comércio marítimo global.
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De acordo com a medida, a passagem diária de navios vai recuar de 36 para 34, a partir do dia 3 de setembro, e depois para 32, no dia 15, informou a Autoridade do Canal do Panamá.
Em junho deste ano, a média de cruzamentos diários foi de 35 navios, enquanto a capacidade permitiria o trânsito de 40 por dia, de acordo com informações da agência Reuters.
Exportadores americanos com a petroleira Chevron, por exemplo, já estão recorrendo a transferências de carga entre navios para enviar gás liquefeito de petróleo (GLP) dos Estados Unidos para a Ásia, em uma mudança de estratégia adotada no momento em que os usuários do Canal do Panamá enfrentam congestionamentos de embarcações e taxas de trânsito recordes.
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O movimentado comércio de GLP entre a Costa do Golfo do México, nos EUA, e a Ásia costuma utilizar navios mais largos do tipo Neopanamax, mas essas embarcações enfrentam custos cada vez mais proibitivos para atravessar o canal. As tarifas para navios-tanque Panamax mais estreitos, que passam por um conjunto separado de eclusas, não subiram tanto, segundo operadores do mercado.
Dois navios-tanque Neopanamax fretados pela Chevron, o Fritzi N e o Pacific Yantai, estão programados para receber cargas de GLP ao largo do porto de Balboa, na costa do Pacífico do Panamá, de acordo com registros de fretamento vistos pela Bloomberg. É provável que essas cargas venham de navios Panamax que já atravessaram a via navegável. Em seguida, os navios Neopanamax transportarão o combustível através do Pacífico.
Alguns navios estão tendo de aguardar até 17 dias para transitar pelo Canal do Panamá, o maior tempo de espera em quase três anos. A medida destaca como o mercado está buscando soluções alternativas para lidar com o congestionamento marítimo causado pela guerra envolvendo o EUA, Irã e Israel, e pela intensificação do fenômeno El Niño.
Esse padrão climático está provocando seca na América Central, reduzindo os níveis de água no canal, enquanto o conflito no Oriente Médio levou a um aumento nos fluxos de energia dos EUA para a Ásia. Cerca de 60% das exportações de GLP dos EUA tiveram como destino a Ásia até agora neste ano, segundo a Kpler, um aumento em relação aos 55% registrados em todo o ano de 2025.
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Navios que pretendem atravessar o Canal do Panamá geralmente pagam uma tarifa fixa por meio de um sistema de reservas. No entanto, o aumento do tempo de espera para embarcações maiores está levando alguns operadores a trocar reservas, pagando, na prática, mais caro para evitar a fila convencional.
A taxa para um navio-tanque Neopanamax que chega ao canal sem reserva de horário e deseja transitar imediatamente disparou para um recorde histórico de US$ 4,6 milhões na semana passada.
Procurada pela Bloomberg, a Chevron não quis comentar. A Anglo-Eastern Ship Management, responsável pela gestão técnica do navio Fritzi N e SPDBFL No. 222 (Tianjin) Ship Leasing, proprietária do Pacific Yantai não responderam a contados pedindo comentários. A Pacific Gas, que faz a gestão da embarcação, recusou-se a comentar o assunto.

