O príncipe Harry e sua esposa, Meghan Markle, planejam retornar à Grã-Bretanha com seus dois filhos, seis anos após abandonarem suas funções como membros da família real e se mudarem para os Estados Unidos, publicaram diversos veículos de imprensa britânicos.
O que se sabe: Príncipe Harry e Meghan Markle planejam mudança de volta ao Reino Unido ainda este mês
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Harry (41 anos) e Meghan (45) se instalariam em uma residência privada na Inglaterra, e seus filhos, Archie (7) e Lilibet (5), seriam matriculados em um colégio britânico para começar o próximo ano letivo em setembro. O casal ainda não confirmou oficialmente a mudança, mas as versões coincidentes da imprensa britânica apontam que o retorno poderia ser concretizado nas próximas semanas.
A decisão abre inúmeros questionamentos sobre a segurança da família, sua relação com a monarquia e o lugar que Harry e Meghan ocupariam na vida pública britânica após anos de enfrentamentos com a Casa Real e com os meios de comunicação.
O retorno supõe uma mudança importante em relação à posição expressada por Harry nos últimos anos. Em uma entrevista à BBC em 2025, o príncipe disse que não conseguia imaginar um cenário em que pudesse levar novamente sua esposa e seus filhos ao Reino Unido, devido, em particular, às preocupações com sua segurança.
— É muito triste não poder mostrar aos meus filhos a minha pátria — disse na época.
A segurança continua sendo uma das principais interrogações. Harry mantém uma disputa judicial com o Ministério do Interior britânico desde que deixou de exercer funções oficiais e perdeu o nível de proteção policial que recebia como membro ativo da realeza. Em 2025, ele perdeu uma batalha judicial para recuperar essa proteção financiada pelo Estado.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, evitou nesta quinta-feira se pronunciar sobre quem financiará a segurança dos duques de Sussex e classificou o assunto como “privado”.
— É uma questão que diz respeito a Harry e Meghan, e desejamos a eles o melhor nos passos que estão dando — disse Burnham durante uma visita a West Yorkshire.
A decisão de se instalar novamente no Reino Unido também surpreende pelo momento escolhido. Segundo meios britânicos, Charles III foi informado do projeto apenas no domingo, apesar de o príncipe estar trabalhando há algum tempo na possibilidade de retornar.
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A agência britânica PA informou que o monarca celebrou a possibilidade de ver “mais a família em caráter pessoal, mas seu status de simples particulares não mudará”.
A reaproximação com Charles
O possível retorno coincide com uma etapa de certa reaproximação entre Harry e seu pai, o rei Charles III, de 77 anos.
No início de julho, Harry, Meghan e seus dois filhos se reuniram em particular com Charles e a rainha Camilla em Highgrove House, uma residência real situada a oeste de Londres. Foi o primeiro encontro entre as crianças e o avô desde 2022.
Harry expressou reiteradamente seu desejo de se reconciliar com sua família.
— Eu adoraria me reconciliar com minha família. Não faz sentido continuar brigando — disse à BBC no ano passado. Na mesma entrevista, manifestou sua preocupação com a saúde de seu pai, diagnosticado com câncer em 2024.
Para o historiador especializado na monarquia Ed Owens, o desejo de que seus filhos cresçam no Reino Unido é um dos principais motivos da mudança.
— Eles querem que seus filhos cresçam como cidadãos britânicos tanto quanto americanos — afirmou.
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Mas a reconciliação familiar poderia ser parcial, já que a relação entre Harry e seu irmão mais velho, William, príncipe de Gales e herdeiro ao trono, permanece profundamente deteriorada. O ex-correspondente real da BBC, Peter Hunt, disse que o anúncio surpresa deixaria William “fora de si”.
— A curto prazo, Harry poderá aprofundar seu reaproximamento com seu pai. E sua presença de volta em casa tornará mais difícil que seu irmão evite uma reconciliação — analisou.
As feridas da ruptura
Harry e Meghan abandonaram suas funções oficiais em 2020 e, posteriormente, se instalaram na Califórnia com o objetivo de serem financeiramente independentes. Desde então, ambos expuseram publicamente suas diferenças com a monarquia.
A entrevista com Oprah Winfrey, o documentário da Netflix e as memórias de Harry, publicadas em 2023, revelaram detalhes privados da família real e provocaram uma das maiores crises internas da monarquia britânica em décadas.
Meghan denunciou que havia sofrido problemas de saúde mental e falta de apoio durante sua permanência na família real. O casal também afirmou que ao menos um integrante da família havia feito comentários sobre a cor de pele que seu filho teria antes de seu nascimento.
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Em suas memórias, Harry descreveu, além disso, uma relação especialmente conflituosa com William e afirmou que seu irmão o havia agredido fisicamente durante uma discussão relacionada a Meghan. Também lançou duras críticas contra Camilla, a quem rotulou como “perigosa” e acusou de ter cultivado vínculos com a imprensa para melhorar sua própria imagem.
Onde e como viverão?
Segundo as informações divulgadas pela imprensa britânica, Harry e Meghan já teriam escolhido uma moradia que não pertence à Coroa.
Entre as zonas mencionadas aparece Northamptonshire, ao norte de Londres e perto de Althorp, a propriedade da família Spencer, à qual pertencia a princesa Diana, mãe de Harry. Outra alternativa seriam os Cotswolds, uma região rural do centro-oeste da Inglaterra muito popular entre celebridades e membros da alta sociedade.
A escolha de uma residência afastada de Londres poderia permitir a eles manter uma vida reservada e reduzir sua exposição aos tabloides britânicos, com os quais Harry mantém uma relação particularmente conflituosa.
O príncipe conduziu uma prolongada batalha judicial contra diferentes grupos de mídia. Obteve vitórias contra os editores do The Daily Mirror e do The Sun por práticas ilegais de espionagem e uso de investigadores privados, embora também tenha sofrido derrotas em outros processos.
Harry e Meghan conservam apoio entre setores jovens da população britânica, mas continuam sendo impopulares entre boa parte do público. Uma pesquisa recente da YouGov situou em 33% a proporção de britânicos com uma opinião favorável sobre Harry, enquanto Meghan obteve apenas 22%.
Outra interrogação será o que acontecerá com as atividades profissionais do casal. Após abandonar a monarquia, Harry e Meghan assinaram acordos comerciais, entre eles um lucrativo contrato com a Netflix, e desenvolveram projetos vinculados a conteúdos audiovisuais, podcasts e estilo de vida.
Meghan também impulsionou sua própria marca, “As Ever”, dedicada a produtos como geleias, velas e chá.
O Daily Mail, um dos meios de comunicação mais críticos aos Sussex, interpretou o possível retorno como um sinal de que os projetos do casal nos Estados Unidos não teriam alcançado as expectativas iniciais.

