O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou na manhã desta sexta-feira para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou o Palácio do Planalto. Lula disse a Trump na ligação que o Brasil não precisa classificar as facções como terroristas para combater o crime organizado.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) afirmou em nota que a conversa ocorreu em “tom amistoso e cordial” e teve duração de uma hora e vinte minutos.
Segundo o informe, as duas autoridades conversaram também sobre a imposição de novas taxas pelo governo americano aos produtos brasileiros e conflitos internacionais.
Na chamada, Lula reforçou o interesse de uma cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado e rejeitou que grupos criminosos no Brasil podem ser considerados terroristas. Em maio deste ano, os EUA decidiram classificar as facções criminosas PCC e CV como organizações terroristas, num revés para o governo, que buscava evitar isso.
“Lula argumentou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas. Afirmou que o Brasil tem instrumentos para enfrentar essas organizações sem precisar de classificação especial para designá-las”, diz a nota.
Ainda na ligação, o presidente brasileiro falou de ações do governo para “asfixiar financeiramente a criminalidade”, além da intenção de transformar 138 presídios em prisões de segurança máxima. Segundo a nota, Lula também falou da aprovação do projeto de lei Antifacção e da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública –a segunda está parada no Senado, ainda precisa ser votada.
A Secom disse que Trump “se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar seguimento aos entendimentos nessa área”.
Tarifaço
Sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, segundo o Planalto, Lula enfatizou que as alegações que basearam a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) “são infundadas”.
“Ao observar que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos, afirmou que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países. Reiterou a importância de trabalhar juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil. O presidente Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível”, afirma a nota do governo.

