Uma série de iniciativas vem redesenhando a dinâmica da região central de São Paulo, com incentivos à ocupação de prédios ociosos, recuperação de imóveis históricos e intervenções em espaços públicos. A prefeitura investe em medidas de mobilidade, segurança e infraestrutura para atrair moradores, comércio e atividades culturais para a área.
– O objetivo é equilibrar a habitação social, o mercado imobiliário e a preservação do patrimônio – afirma Elisabete França, secretária municipal de Urbanismo e Licenciamento.
Na frente habitacional, o principal instrumento dessa política é o Requalifica Centro, que oferece incentivos urbanísticos e fiscais para empreendimentos de retrofit. Junto com a Subvenção Econômica, programa de apoio financeiro para obras de retrofit, foram alcançados 50 edifícios com mais de 5 mil moradias na região, incluindo empreendimentos emblemáticos como Copan, Cambridge e 7 de Abril.
Esse processo ganhou novo impulso neste mês, com uma nova rodada de R$ 200 milhões em subsídios para projetos de retrofit. Os recursos integram o programa de R$ 1 bilhão destinado a estimular a recuperação de edifícios.
Do total de recursos previstos, R$ 600 milhões são reservados para ativações voltadas a famílias com renda de até seis salários mínimos. A medida busca ampliar a participação de empreendimentos destinados à Habitação de Interesse Social (HIS) e à Habitação de Mercado Popular (HMP), com financiamento de até 25% do custo das obras.
O novo edital ampliou a área em que o retrofit voltado à moradia pode receber a subvenção econômica. O território elegível saltou de 1.170 para 2.780 hectares, deixando de se restringir ao perímetro, formado pelos distritos da Sé, República e parte do Brás. Agora, inclui Bom Retiro e Pari, além de áreas da Bela Vista, Santa Cecília e Liberdade.
– O programa é tão bem-sucedido que é utilizado como exemplo em outras prefeituras pelo país – diz a secretária.
O Requalifica Centro também foi reconhecido pela ONU-Habitat como referência no enfrentamento da crise habitacional, recuperação urbana e desenvolvimento sustentável em grandes cidades.
Integração entre pastas
A estratégia envolve diferentes áreas da administração municipal.
– Uma das diretrizes do nosso governo é o trabalho em conjunto com outras secretarias e com a sociedade civil – ressalta Elisabete.
Entre as iniciativas está o Smart Sampa, da Secretaria Municipal de Segurança Urbana. O sistema de monitoramento utiliza câmeras inteligentes, incluindo equipamentos com reconhecimento facial para auxiliar no monitoramento de ocorrências e na localização de pessoas procuradas pela Justiça.
– Elas trazem mais segurança e podem evitar delitos. Para se ter uma ideia, nos pontos em que há essas tecnologias, os roubos caíram 10% em relação ao ano passado – afirma.
Na mobilidade, a secretária destaca o projeto de implantação do Veículo Leve Elétrico (VLE), que, segundo ela, deve ampliar as alternativas de deslocamento no Centro. O sistema, que usa energia limpa, também é apresentado pela prefeitura como uma alternativa de transporte de menor impacto ambiental.
Novos investimentos
A transformação também tem sido acompanhada pelo aumento do investimento privado.
– Entre 2021 e 2025, além dos prédios retrofitados, tivemos uma produção de habitação de interesse social gigantesca – comenta Elisabete. Segundo ela, foram aprovados 36 mil novos apartamentos na região, sendo 18 mil moradias populares.
A secretária também menciona o interesse da iniciativa privada na abertura de estabelecimentos, como restaurantes, escritórios e agências bancárias.
– O Centro está voltando a ser um caldeirão de investimentos e deverá ser cada vez mais atrativo, pujante e mais amigável para todos que vivem ou que vêm visitar São Paulo – celebra.

