A pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, com um quadro de estabilidade em relação ao levantamento de julho, trouxe alívio para a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que temia sofrer impacto nas intenções de voto por causa das notícias sobre o avanço das investigações contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, e contra o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) avalia que o desgaste ainda vai atingir o petista e aposta no início do horário eleitoral, na próxima sexta-feira, para ampliar a exposição do tema.
Na campanha de Lula, houve comemoração por causa do resultado.
— Penso que a pesquisa mostra um quadro de estabilidade, com o presidente liderando todos os cenários e, assim, segue como favorito. Para nós, não há surpresa pois entendemos que a sociedade brasileira aprova o governo do PT e enxerga no presidente o líder capaz de conduzir o Brasil em um cenário internacional tão desafiador. O Brasil busca confiança, não instabilidade; busca verdade, nunca mentira; a sociedade brasileira quer respostas concretas, certezas, e não aventuras — afirmou Èden Valadares, secretário de comunicação do PT e membro da coordenação de campanha.
O Datafolha divulgado nesta sexta-feira mostra Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio. No cenário com Pablo Marçal (PRTB), o petista mantém os 39%, enquanto o senador aparece com 32%. No segundo turno, Lula tem 47%, ante 43% de Flávio.
O resultado provocou uma avaliação mista entre integrantes do entorno de Flávio. Parte da equipe considerou os números positivos, enquanto outros esperavam números melhores. A estratégia para as próximas é, além da exploração do tema Lulinha, concentrar a comunicação em segurança e economia, com uma tentativa de aproximar o candidato de problemas concretos do cotidiano dos eleitores.
Nas últimas semanas, Flávio passou a publicar uma sequência de vídeos voltados a questões econômicas e ao impacto da situação do país na vida das pessoas. A comunicação tem explorado, por exemplo, o aumento do custo de produtos e serviços e dificuldades enfrentadas por empresas, com referências a casos como o da Casas Bahia. A intenção é associar a discussão econômica a situações reconhecíveis pelo eleitor e apresentar Flávio como uma alternativa à gestão petista.
A aposta no horário eleitoral ocorre em um momento em que 72% dos eleitores ouvidos pelo Datafolha afirmam estar totalmente decididos sobre o voto, enquanto 27% dizem que ainda podem mudar de escolha. Para a campanha de Flávio, a televisão será uma oportunidade de ampliar o alcance de mensagens que hoje circulam principalmente nas redes sociais e tentar alterar a percepção sobre Lula entre os eleitores que ainda podem rever sua decisão.
A situação de Pablo Marçal também faz parte do cálculo eleitoral. O empresário aparece com 2% no cenário em que é incluído, enquanto Renan Santos (Missão) tem 4%, Ronaldo Caiado (PSD) marca 5% e Romeu Zema (Novo), 3%. O entorno de Flávio avalia que a presença de Marçal pode limitar o espaço de crescimento de adversários da direita. Caso a candidatura do empresário seja barrada pela Justiça Eleitoral, aliados do senador trabalham para tentar levá-lo ao palanque de Flávio.

