A Polícia Militar iniciou, nesta sexta-feira, uma ocupação na Cidade Alta, na Zona Norte do Rio, após uma operação no Complexo de Israel que levou agentes a identificar, pela primeira vez, o uso de carros-bomba por traficantes. A permanência do efetivo na comunidade, dominada pelo Terceiro Comando Puro (TCP), foi anunciada pelo comando da corporação como parte da estratégia para ampliar a presença policial e conter os confrontos na região.
Contexto: Uso de carro-bomba por traficantes era inédito no Rio, diz PM; armadilha foi achada no Complexo de Israel
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— Hoje a Polícia Militar está iniciando uma ocupação na Cidade Alta. Estamos instalando uma ocupação naquele território — disse o major Maicon Pereira, sem detalhar a duração da medida nem o número de agentes empregados. Segundo ele, as informações são estratégicas.
De acordo com o oficial, a medida tem como objetivo impedir a atuação de criminosos e, principalmente, reduzir os confrontos entre traficantes que disputam áreas na região. De acordo com ele, criminosos baseados na Cidade Alta entram em confronto principalmente com integrantes de grupos que atuam no Complexo da Penha e na comunidade do Quitungo.
— Eles acabam deixando a população em risco. Estavam colocando até mesmo artefatos explosivos em drones. Ou seja, há uma população que não está envolvida diretamente no confronto e que acaba ficando sujeita [a esses riscos] — afirmou.
Carro-bomba inédito, aponta PM
O uso de carros-bombas por traficantes de drogas foi identificado pela Polícia Militar pela primeira vez no Rio nesta sexta-feira, durante uma operação realizada no Complexo de Israel, na Zona Norte da capital. Os agentes encontraram também barricadas com explosivos. De acordo com a corporação, os artefatos seriam detonados à distância. A área onde estavam as armadilhas foi isolada e os policiais militares realizaram a remoção dos artefatos e equipamentos encontrados, seguindo os procedimentos de segurança. Não houve registro de feridos nesse procedimento, informou a PM.
A operação, que se concentrou nas comunidades Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-pau começou de madrugada. Houve intenso tiroteio. Um suspeito morreu. Um motorista de ônibus foi atingido por uma bala perdida. Devido ao confronto, a Avenida Brasil e a Rodovia Washington Luiz foram fechadas ao trânsito momentaneamente por medida de segurança.
O motorista baleado, Douglas Santos de Souza, foi atingido num dos ombros quando estava a caminho do trabalho. Ele foi socorrido por outro rodoviário e está no Hospital Getúlio Vargas. O estado de saúde do profissional é estável.
Segundo a PM, a ação visa a reprimir a atuação de grupos criminosos armados na região. Cerca de 200 agentes foram mobilizados. Eles são dos batalhões de Operações Especiais (Bope), de Ações com Cães (BAC), Tático de Motociclistas (BTM), de Polícia de Choque (BPChq), de Vias Especiais (BPVE), do Grupamento Aeromóvel (GAM) e das Rondas Especiais e Controle de Multidão (RECOM). A ação conta ainda com cinco veículos blindados, além de motocicletas, viaturas e apoio aéreo.
Impactos
O Rio Ônibus informou que a operação das linhas que passam pela Avenida Brasil podem estar sofrendo atrasos devido ao fechamento da via que ocorreu mais cedo. A entidade lamentou que o motorista de ônibus tenha sido baleado, citou a rotina de violência que o setor vive na cidade do Rio e afirmou que “casos como esse comprometem diretamente a vida e a segurança de passageiros e rodoviários”.
De acordo com a Mobi-Rio, os serviços 60 e 70 do BRT tiveram a operação temporariamente interrompida pelo tiroteio.
A Secretaria municipal de Educação informou que, na Cidade Alta, oito unidades escolares suspenderam as aulas. Já em Vigário Geral e Parada de Lucas, foram três escolas fechadas e nas comunidades Cinco Bocas e Pica-pau, outras cinco.
Segundo a Secretaria municipal de Saúde, duas unidades de Atenção Primária na região do Complexo de Israel suspenderam o funcionamento e avaliam a possibilidade de abertura nas próximas horas. Outras três mantêm o atendimento, mas não realizam atividades externas, como as visitas domiciliares.
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