A Justiça da Bolívia decretou nesta sexta-feira seis meses de prisão preventiva para o argentino Fernando Cerimedo, assessor pessoal do presidente Rodrigo Paz e investigado como principal suspeito de planejar um atentado a tiros contra sua ex-companheira, a advogada boliviana Nadia Beller.
Cerimedo, de 45 anos, foi preso na madrugada de terça-feira, após aterrissar no aeroporto de Santa Cruz, no leste da Bolívia, vindo de La Paz. Na noite anterior, Beller sobreviveu a um atentado na cidade e foi atingida por três tiros disparados por assassinos de aluguel.
O argentino é conhecido por assessorar campanhas eleitorais de candidatos de direita em diferentes países da América Latina, entre eles Javier Milei, na Argentina, Jair Bolsonaro, no Brasil, Nasry Asfura, em Honduras, além do próprio Rodrigo Paz.
A advogada, que continua internada em uma clínica particular, acusou Cerimedo de planejar sua morte. A Promotoria abriu uma investigação por tentativa de feminicídio.
O juiz Wilson Espada determinou a prisão preventiva de Cerimedo por 180 dias no presídio de Palmasola, em Santa Cruz. O assessor compareceu à audiência usando um colete à prova de balas preto, segundo imagens da AFP.
— Ele afirmou que é inocente e que não tem nada a ver com esse assunto — disse a promotora do caso, Yolanda Aguilera, após a audiência.
Defesa chama decisão de ‘arbitrária’
A defesa de Cerimedo classificou como arbitrária a decisão judicial.
— Não existe certeza de que o senhor Fernando Cerimedo tenha contratado (…) essas pessoas. Existem algumas mensagens de chat que não conduzem à verdade histórica dos fatos — disse Ernesto Giraldes, advogado de Cerimedo, ao jornal El Deber.
O veículo local DTV divulgou supostas perícias da Promotoria realizadas no telefone de Cerimedo. Em uma conversa, uma pessoa teria informado a ele na noite do crime: “Irmão, neste momento atiraram nela”.
Na quinta-feira, a Promotoria de La Paz realizou buscas em diferentes imóveis relacionados a Cerimedo. Em uma residência, foram encontrados 500 mil bolivianos em dinheiro vivo, cerca de US$ 43 mil, e uma suposta “fazenda de bots”, sobre a qual as autoridades não forneceram detalhes. A defesa do argentino negou sua existência.
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