Com fome de vitória, Alison dos Santos chegou ao quinto título do ano na Diamonds League, nesta quinta-feira, ao vencer os 400 metros com barreiras da etapa de Zurique em 45s80. De quebra, ele também bateu recordes brasileiros no atletismo que se mantinham desde 1975, com João do Pulo, em pista, e com Ronaldo da Costa, em 1998, na maratona na rua.
Referência do atletismo, João Carlos de Oliveira recebeu o apelido de “João do Pulo” após quebrar o recorde mundial em 15 de outubro de 1975, saltando 17,89m no triplo durante os Jogos Pan-Americanos da Cidade do México. Desde então, o país havia conquistado títulos olímpicos e mundiais no atletismo, mas nenhuma nova melhor marca do planeta em uma prova disputada dentro de estádio.
Se o tempo deixou a marca grandiosa, ela também foi muito comemorada naquela época. Sua chegada ao Brasil rendeu carreata em ruas cheias no centro de São Paulo e o atleta foi figura paparicada por todos os níveis de autoridades, desde membros da prefeitura de suacidade, Pindamonhangaba, ao presidente do Brasil na época, Ernesto Geisel, que o parabenizou em telegrama.
— Sinceramente, não esperava chegar tão cedo ao recorde mundial — disse à época. — Desculpem, mas estou certo de que, se houvesse me preparado mais para vir ao México, teria atingido 18 metros.
João Carlos de Oliveira (João do Pulo). Chegada de João do Pulo a São Paulo após ganhar as medalhas de ouro no salto em distância e no salto triplo nos Jogos Pan-americanos do México. Desfile no carro de bombeiros. Foto Marcio Arruda / Agência O Globo. Neg: 147923
Marcio Arruda / Agência O Globo
Naquela edição dos Pan-Americanos, João do Pulo ganhou as medalhas de ouro no salto em distância e no salto triplo (onde conseguiu o recorde mundial). Ele superou a marca anterior, que era do soviético Viktor Saneyev, em 45 centímetros. Sua marca só foi superada dez anos depois pelo americano Willie Banks, com 18,29m, em Indianápolis.
São Paulo (SP) 27/10/1975 – João Carlos de Oliveira (João do Pulo). Chegada de João do Pulo a São Paulo após ganhar as medalhas de ouro no salto em distância e no salto triplo (recorde mundial) nos Jogos Pan-americanos do México.
Arquivo / Agência O Globo
No ano seguinte, além dessas duas medalhas, ele se destacou com o bronze nas Olimpíadas de Montreal, em 1976.
De frentista de posto de gasolina a soldado do Exército, João criou uma carreira que poderia ter durado mais, no entanto um grave acidente mudou sua trajetória de vida.
Em 1981, João se acidentou de carro na Rodovia Anhanguera e ficou quase um ano na UTI. Ao deixar o hospital, precisou se reformular em pé, pois teve a perna direita amputada. Ainda assim, a mudança de rumo o fez estudar Educação Física e entrar para a política. Foi eleito deputado estadual por duas vezes, em 1986 e 1990. Morreu em 1999, com apenas 45 anos.
Rei das ruas em 98
Em 1998, Ronaldo da Costa fazia a apenas a segunda maratona de sua carreira e a venceu batendo o recorde Mundial. Na Maratona de Berlim, ele correu 2h06min05s, superando o antigo número e se tornando o primeiro homem a completar os 42,195km abaixo de 2h07. Assim, Alison é o primeiro brasileiro a quebrar um recorde mundial absoluto do atletismo desde Ronaldo, há 28 anos, e o primeiro em pista e campo desde João do Pulo, em 1975.
— Foi uma surpresa, inclusive, para mim. Treinei muito, estava em boa forma, mas meu objetivo não era bater o recorde mundial e sim melhorar minha marca pessoal e terminar a corrida em torno das 2h07m.
Brasileiro maratonista Ronaldo da Costa
Reprodução / TV Globo
Mas ele fez mais do que isso. Ronaldo, na época com 28 anos, correu 45 segundos abaixo do recorde anterior, que durava dez anos. Ronaldo ficou com a marca por mais de um ano. Em 1999, Paul Tergat, também em Berlim, correu 2h04min55s e estabeleceu um novo recorde.
Além da marca em Berlim, os principais títulos foram: o bronze por Equipe no Mundial de Meia Maratona de Tynesyde (GBR)-1992; bronze individual no Mundial de Meia Maratona de Oslo (NOR)-1994; campeão da Corrida Internacional de São Silvestre-1994; medalha de prata no Mundial de Ekiden (maratona de revezamento) em Compenhague-1996 e bronze em Manaus-1998.
Os recordes mundiais do Brasi lno atletismo
– 1950 — Adhemar Ferreira da Silva: 16,00m no salto triplo, São Paulo
– 1951 — Adhemar Ferreira da Silva: 16,01m no salto triplo, Rio de Janeiro
– 1952 — Adhemar Ferreira da Silva: 16,12m no salto triplo, Helsinque
– 1952 — Adhemar Ferreira da Silva: 16,22m no salto triplo, Helsinque
– 1955 — Adhemar Ferreira da Silva: 16,56m no salto triplo, Cidade do México
– 1968 — Nelson Prudêncio: 17,27m no salto triplo, Cidade do México
– 1975 — João Carlos de Oliveira: 17,89m no salto triplo, Cidade do México
– 1998 — Ronaldo da Costa: 2h06min05s na maratona, Berlim
– 2026 — Alison dos Santos: 45s80 nos 400m com barreiras, Zurique

