O rosto mais jovem e, ao mesmo tempo, sem aparência de ter passado por uma cirurgia virou um dos desejos mais comentados quando o assunto é lifting facial. Entre as técnicas que ganharam popularidade nos últimos anos está o chamado deep plane, procedimento que ficou conhecido por atuar em camadas mais profundas do rosto e por prometer um resultado mais natural. A exposição de celebridades nas redes sociais ajudou a colocar a técnica em evidência, mas uma dúvida permanece: quem realmente tem indicação para passar pela cirurgia?
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Segundo o cirurgião plástico Paolo Rubez, o deep plane costuma ser considerado para pessoas que já apresentam sinais mais marcados de envelhecimento. Entre eles estão a flacidez, os sulcos mais acentuados, como o chamado “bigode chinês”, e a perda de definição da mandíbula e do pescoço.
“O paciente ideal é aquele, em geral a partir dos 40 anos, que já apresenta sinais de envelhecimento como flacidez de pele e músculos, acentuação dos sulcos como o ‘bigode chinês’ e perda de definição da mandíbula e pescoço”, esclarece o médico.
O que é o deep plane?
De forma simples, a técnica reposiciona estruturas que sofreram alterações com o passar dos anos, em vez de apenas esticar a pele. A proposta é justamente evitar aquele aspecto excessivamente repuxado que, durante muito tempo, foi associado ao lifting facial.
“O reposicionamento também é feito sem tensão na pele, ao contrário das técnicas antigas de lifting, o que faz com que as cicatrizes fiquem com qualidade muito boa e pouco perceptíveis. Estas características da cirurgia é que permitem que os resultados sejam naturais e bonitos”, completa.
A popularidade do procedimento também tem relação direta com as redes sociais. Fotos e vídeos de celebridades passaram a mostrar resultados de cirurgias estéticas para milhões de pessoas, aumentando a curiosidade em torno de técnicas que antes ficavam restritas ao consultório médico.
“As celebridades contribuíram muito para esta disseminação do procedimento, pois elas alcançam muitas pessoas e viralizam. Além disto, os bons resultados que as pessoas veem na internet contribuem para a cirurgia se tornar popular e desejada”, afirma Paolo.
O especialista também associa o interesse crescente à busca por intervenções que não mudem completamente a fisionomia. Para quem já apresenta maior flacidez, procedimentos menos invasivos podem não oferecer o resultado esperado, o que leva algumas pessoas a considerar a cirurgia.
“Acredito que essa é uma tendência que veio para ficar. A expectativa é sempre de que as técnicas aprimorem ainda mais, permitindo resultados bonitos e naturais, sem descaracterizar as pessoas. Além disto, a recuperação da cirurgia também está cada vez melhor e em menos tempo, o que contribui para que os pacientes realizem o procedimento. Muitos pacientes também recorrem ao deep plane, pois os tratamentos menos invasivos já não estão entregando o resultado que eles gostariam”, acrescenta o médico.
A ideia é rejuvenescer sem mudar o rosto
A procura por um resultado discreto é outro fator que aparece nas conversas sobre o deep plane. Em vez de transformar os traços, a expectativa de muitos pacientes é parecer mais descansado e recuperar parte da aparência de anos anteriores.
“Hoje em dia, os pacientes não querem chamar muito a atenção e querem rejuvenescer mantendo suas características, como se apenas voltassem alguns anos na vida. O deep plane vai exatamente neste sentido, pois entrega resultados naturais. Este é um dos motivos de sua crescente popularização”, diz o especialista.
Mas o fato de uma técnica estar em alta não significa que ela seja indicada para qualquer pessoa. A decisão depende das características de cada rosto, do grau de envelhecimento e, principalmente, do que o paciente espera alcançar.
Quando o deep plane não é indicado?
Antes de decidir pela cirurgia, é importante alinhar o que se deseja com aquilo que o procedimento realmente pode proporcionar. A comparação com celebridades também pode criar expectativas difíceis de alcançar, especialmente porque as imagens publicadas nas redes sociais nem sempre mostram a aparência real de uma pessoa.
“Por isto a importância da consulta médica. As pessoas precisam entender até onde os procedimentos entregam resultados e também entender que cada um tem a sua individualidade. Buscar ficar parecido com outra pessoa só irá trazer frustração. Mais uma vez é importante lembrar que as imagens que vemos na internet não necessariamente correspondem a como de fato a pessoa é, sem maquiagem e sem edições. Quando a expectativa do paciente não é real ou não corresponde ao que a cirurgia é capaz de entregar é preciso dizer não, para que o resultado não frustre e decepcione”, finaliza o médico.

